Sarampo: sintomas, transmissão, vacina e como se prevenir 

6 de agosto de 2026

Criança com sarampo, mostrando manchas vermelhas na pele, fotografada em close.

O sarampo voltou a circular no Brasil e as buscas por informação sobre a doença cresceram junto. Casos confirmados em municípios da região metropolitana de São Paulo levaram as autoridades de saúde a ampliar a oferta da vacina. 

Com isso, muita gente que nunca tinha parado para pensar no assunto começou a procurar a caderneta de vacinação em casa. Se essa é a sua situação, este texto foi feito para você. 

Reunimos aqui o que se sabe sobre os sintomas, como o vírus se espalha, o que diferencia o sarampo da catapora, quem precisa se vacinar e em quantas doses. Confira! 

O que é o sarampo e qual vírus causa a doença? 

O sarampo é uma doença infecciosa viral altamente contagiosa, causada por um vírus do gênero Morbillivirus, que afeta principalmente as vias respiratórias e provoca febre alta e manchas vermelhas pelo corpo. 

Por muito tempo, o sarampo esteve entre as principais causas de morte de crianças no mundo. A vacinação em larga escala mudou esse cenário, mas a doença continua sendo um desafio em regiões com baixa cobertura vacinal, segundo o Ministério da Saúde. 

Uma confusão comum vale ser desfeita logo: o sarampo não é uma doença exclusiva da infância. Adolescentes e adultos que não completaram o esquema de vacinação também podem adoecer. 

Como o sarampo é transmitido? 

O sarampo é transmitido pelo ar, de pessoa a pessoa, quando alguém infectado tosse, espirra, fala ou simplesmente respira perto de outras pessoas. 

Não é preciso contato físico nem compartilhar objetos. As partículas com o vírus ficam suspensas no ar, o que explica por que ambientes fechados e com pouca ventilação favorecem tanto a transmissão. 

Para se ter uma ideia da força de contágio, o Ministério da Saúde estima que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para cerca de 90% das pessoas próximas que não estejam imunizadas. 

Quais são os sintomas de sarampo? 

Os primeiros sintomas do sarampo costumam ser febre alta, acima de 38,5 graus, acompanhada de tosse seca, coriza, mal-estar intenso e irritação nos olhos, com sensibilidade à luz. 

Nessa fase inicial, o quadro se parece muito com o de outras viroses respiratórias, o que costuma atrasar a suspeita. As manchas vermelhas, o sinal mais conhecido da doença, aparecem depois. 

Em torno de 3 a 5 dias após o início dos sintomas, surgem manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas, que em seguida se espalham para o restante do corpo. Esse conjunto de manchas é chamado de exantema. 

Outro sinal característico são pequenos pontos esbranquiçados que podem aparecer na parte interna da bochecha, conhecidos como manchas de Koplik. Eles nem sempre estão presentes, mas ajudam o profissional de saúde na suspeita clínica. 

Um alerta importante: se a febre continuar depois do aparecimento das manchas, isso pode indicar maior gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos.  

Sarampo em crianças 

Crianças pequenas, sobretudo bebês menores de 1 ano, estão entre as mais vulneráveis. Isso acontece porque a primeira dose da vacina de rotina só é aplicada aos 12 meses, o que deixa uma janela de exposição nos primeiros meses de vida. 

Por isso, em cenários de surto, as autoridades podem indicar uma dose extra para bebês a partir dos 6 meses, como explicamos mais adiante. 

Diante de febre alta com manchas em uma criança, o caminho é procurar avaliação profissional. Não tente identificar a doença sozinho pela aparência da pele. 

Quais complicações o sarampo pode causar? 

O sarampo pode evoluir com complicações, principalmente em crianças pequenas, gestantes e pessoas com imunidade reduzida. 

Entre as mais frequentes estão a pneumonia, que é uma infecção nos pulmões, e a otite média aguda, uma infecção no ouvido que em alguns casos pode deixar sequelas na audição. Também pode ocorrer encefalite, uma inflamação no cérebro, em situações mais raras. 

Nada disso significa que todo caso vai evoluir mal. Significa apenas que o sarampo não deve ser tratado como uma doença banal, e que a prevenção compensa. 

Como é feito o diagnóstico do sarampo? 

O diagnóstico do sarampo combina avaliação clínica e confirmação laboratorial, feita por exames sorológicos de sangue (IGM e IGG) e, quando indicado, por análise de secreções e urina (exames de biologia molecular – RT-PCR). 

A coleta das amostras precisa acontecer logo no primeiro atendimento, o que reforça a importância de procurar o serviço de saúde assim que houver suspeita. 

O sarampo também é uma doença de notificação compulsória. Na prática, isso quer dizer que cada caso suspeito é comunicado às autoridades de saúde, que investigam a origem e adotam medidas para proteger quem teve contato com a pessoa. É um mecanismo de proteção coletiva. 

Existe tratamento para o sarampo? 

Não existe tratamento específico contra o vírus do sarampo. O cuidado é de suporte, voltado a aliviar os sintomas, manter a hidratação e prevenir complicações. 

O acompanhamento profissional é essencial, especialmente em crianças. Além disso, uma orientação vale ser repetida: não use nenhum medicamento por conta própria e não recorra a receitas caseiras. Diante de suspeita, procure o serviço de saúde mais próximo. 

Sarampo ou catapora: como diferenciar? 

Sarampo e catapora são doenças diferentes, causadas por vírus diferentes, e a principal distinção está no tipo de lesão na pele: o sarampo provoca manchas avermelhadas planas, enquanto a catapora forma bolhas com líquido. 

A tabela abaixo reúne as diferenças mais visíveis entre as duas: 

 Sarampo Catapora (varicela) 
Tipo de lesão Manchas vermelhas planas Bolhas com líquido, que depois formam casquinhas 
Onde começa Rosto e atrás das orelhas, depois espalha Tronco e couro cabeludo, depois espalha 
Coceira Leve ou ausente  Intensa 
Sintomas respiratórios Tosse seca, coriza e conjuntivite são comuns Menos frequentes 
Febre Alta, geralmente antes das manchas Costuma ser mais baixa 
Vacina que previne Tríplice viral e tetraviral Tetraviral e vacina varicela 

Vacina contra o sarampo: quem deve tomar e quantas doses? 

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir o sarampo e está disponível gratuitamente no SUS. Manter a caderneta em dia protege quem se vacina e também quem ainda não pode se vacinar, como os bebês mais novos. 

Muita gente procura pelo termo “vacina SCR”. A sigla se refere a sarampo, caxumba e rubéola, e corresponde ao que os serviços de saúde chamam de vacina tríplice viral. 

No SUS, a proteção contra o sarampo aparece em mais de uma apresentação: 

  • Tríplice viral – protege contra sarampo, caxumba e rubéola. 
  • Tetraviral – protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora). 
  • Dupla viral – protege contra sarampo e rubéola, e pode ser usada em ações de bloqueio durante surtos. 

Cabe ao profissional de saúde definir qual apresentação é indicada para cada pessoa, considerando idade, histórico vacinal e o cenário epidemiológico do momento. 

Esquema de doses por faixa etária 

Na rotina dos serviços de saúde, todas as pessoas de 12 meses a 59 anos têm indicação de vacinação contra o sarampo. Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto devem iniciar ou completar as doses conforme o Calendário Nacional de Vacinação. 

Se você não tem certeza sobre suas doses, leve a caderneta a uma unidade básica de saúde. A equipe avalia o histórico e orienta o que falta. 

A dose zero para bebês de 6 a 11 meses 

Em regiões com surto, as autoridades de saúde podem indicar uma dose extra da vacina para bebês de 6 a 11 meses e 29 dias, chamada de dose zero. 

Ela funciona como uma proteção antecipada em um momento de risco maior. Um ponto que gera muita dúvida: a dose zero não substitui as doses previstas no calendário, aos 12 e aos 15 meses. A criança que recebe a dose zero segue precisando das doses de rotina. 

Quem não deve tomar a vacina 

A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação. Gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto devem receber a vacina no puerpério, ou seja, após o parto. 

Outras situações também exigem avaliação individual antes da vacinação. 

A situação do sarampo no Brasil hoje 

O Brasil mantém a certificação internacional de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, obtida em 2024. Ainda assim, casos importados e surtos localizados voltaram a ocorrer. 

O que explica esse tipo de retorno é a combinação entre circulação internacional do vírus e queda na cobertura vacinal. A meta do Ministério da Saúde é de 95% de cobertura para cada dose da tríplice viral, patamar que ainda não foi alcançado em várias regiões. 

Em 2026, foi identificado um surto na região metropolitana de São Paulo. Diante do cenário, o Ministério da Saúde recomendou ampliar a oferta da vacina para toda a população de 6 meses a 59 anos nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, durante a Campanha de Multivacinação, que vai de 3 de agosto a 1º de setembro de 2026. 

Consulte a unidade de saúde do seu município para confirmar públicos, horários e locais de vacinação. 

Manter a caderneta em dia é a proteção que funciona 

O sarampo é altamente contagioso, se espalha antes de dar sinais claros e pode causar complicações. Ao mesmo tempo, é uma das doenças mais bem controladas pela vacinação quando a cobertura se mantém alta. 

A forma mais eficaz de se proteger continua sendo simples: manter a caderneta de vacinação em dia, a sua e a de quem você cuida. Aproveite para conferir nosso conteúdo sobre a importância da vacinação

Perguntas frequentes sobre sarampo 

Quem já teve sarampo pode pegar de novo? 

Em geral, não. Quem teve a doença costuma desenvolver imunidade duradoura. Ainda assim, a comprovação depende de avaliação profissional e do histórico vacinal. 

Por quanto tempo uma pessoa com sarampo transmite a doença? 

A transmissão pode ocorrer entre 6 dias antes e 4 dias depois do aparecimento das manchas na pele, segundo o Ministério da Saúde. 

Adulto precisa tomar vacina contra o sarampo? 

Sim, quando não tem o esquema completo comprovado. Na rotina do SUS, a indicação vai de 12 meses a 59 anos. Leve a caderneta a uma unidade de saúde para avaliação. 

Perdi minha caderneta de vacinação. Preciso tomar tudo de novo? 

Não necessariamente. Procure uma unidade básica de saúde com qualquer registro que você tenha. A equipe avalia o histórico e orienta o que é preciso fazer. 

A vacina contra o sarampo pode causar a doença? 

Não. As vacinas tríplice viral e tetraviral costumam causar pouca reação. Os efeitos mais observados são febre, dor e vermelhidão no local da aplicação e manchas na pele, geralmente leves e passageiros. 

Como saber se já tomei a vacina contra o sarampo? 

Confira a caderneta de vacinação, física ou digital. O histórico também pode ser consultado no aplicativo Meu SUS Digital ou na unidade básica de saúde onde você se vacinou. 

Quem tomou vacina pode pegar sarampo? 

É possível, mas pouco frequente. Nenhuma vacina oferece proteção absoluta, e quem completou o esquema tende a ter quadros mais leves. 

  • 06/08/2026 13:55Versão atual
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Conteúdo produzido pela equipe de Gestão de Saúde da MDS Brasil

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Responsável Técnico

Dr. Claudio Albuquerque

Diretor Executivo Médico da MDS Brasil (CRM 188683)

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