A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva. É uma das queixas oculares mais comuns. Mas, o que muita gente não sabe, é que existe mais de um tipo, e essa diferença muda tudo. O cuidado indicado para uma conjuntivite alérgica não é o mesmo de uma conjuntivite bacteriana.
Neste conteúdo, você vai entender como reconhecer os sinais, quais são os tipos, como acontece a transmissão e por que o diagnóstico do oftalmologista faz tanta diferença. Confira!
Índice
- O que é conjuntivite?
- Tipos de conjuntivite
- Quais são os sintomas da conjuntivite?
- Sinais que pedem avaliação com prioridade
- Como a conjuntivite é diagnosticada?
- Qual é o tratamento da conjuntivite?
- Conjuntivite em bebês e crianças
- Como prevenir a conjuntivite?
- CID da conjuntivite: o que significa o código H10
- Cuide da sua saúde ocular o ano todo
- Perguntas frequentes sobre conjuntivite
O que é conjuntivite?
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, membrana que recobre a esclera (a parte branca do olho) e a face interna das pálpebras. Ela pode atingir um ou os dois olhos.
Essa membrana é sensível e fica muito exposta ao ambiente. Por isso reage com facilidade a agentes infecciosos, alérgenos e substâncias irritantes, respondendo com vermelhidão, inchaço e aumento da secreção.
A condição acomete pessoas de qualquer idade e é uma das causas mais frequentes de consulta oftalmológica no Brasil.
Os quadros costumam ser classificados por tempo de evolução. As formas agudas se resolvem em algumas semanas, e as crônicas são aquelas que se prolongam além desse período. Existe ainda a conjuntivite neonatal, que ocorre nos primeiros 28 dias de vida.
Tipos de conjuntivite
Cada tipo de conjuntivite tem características próprias de secreção, transmissão e evolução. Confira abaixo as principais diferenças entre elas:
Conjuntivite viral
A conjuntivite viral é a forma mais associada a surtos, principalmente em ambientes fechados e com muitas pessoas, como escolas, creches, transporte público e locais de trabalho.
A secreção costuma ser mais clara e em menor quantidade. O quadro tende a ser autolimitado, ou seja, se resolve com o tempo.
O cuidado se concentra em aliviar os sintomas e, principalmente, em evitar a transmissão para outras pessoas.
Conjuntivite bacteriana
Nos quadros bacterianos, a secreção costuma ser mais espessa e amarelada, e aparece em maior quantidade. É comum acordar com as pálpebras grudadas.
Esse tipo exige avaliação médica para que o profissional defina a conduta adequada. A escolha do tratamento depende do agente identificado.
Conjuntivite alérgica
A conjuntivite alérgica é causada pela reação dos olhos a substâncias como poeira, ácaros, pólen, mofo e pelos de animais. Não é contagiosa.
O sintoma que mais se destaca é a coceira, geralmente intensa e nos dois olhos ao mesmo tempo. Também são comuns o lacrimejamento e o inchaço das pálpebras.
Por depender da exposição ao alérgeno, esse tipo tende a ser recorrente e a se repetir em determinadas épocas do ano.
Conjuntivite irritativa ou química
Acontece quando os olhos entram em contato direto com substâncias como produtos de limpeza, cloro, fumaça, cosméticos ou defensivos agrícolas.
Nesses casos, a orientação geral é lavar bem os olhos com água corrente ou soro fisiológico e buscar avaliação profissional, principalmente quando o incômodo persiste.
Conjuntivite fúngica
É a forma mais rara. Costuma estar relacionada a lesões oculares causadas por materiais como madeira ou ao uso de lentes de contato em más condições de conservação.
Como o diagnóstico é menos comum, a avaliação oftalmológica é ainda mais importante para definir a conduta.
Quais são os sintomas da conjuntivite?
Os sintomas mais comuns da conjuntivite podem aparecer de forma gradual ou repentina, dependendo da causa. Veja os mais relatados:
- Vermelhidão – conhecida tecnicamente como hiperemia, é o sinal mais característico.
- Lacrimejamento – os olhos ficam mais úmidos do que o normal.
- Coceira – costuma ser mais intensa nos quadros alérgicos.
- Sensação de areia ou cisco – desconforto constante, como se algo estivesse preso no olho.
- Pálpebras inchadas – o inchaço pode variar de leve a bem perceptível.
- Pálpebras grudadas ao acordar – acontece pelo acúmulo de secreção durante a noite.
- Secreção purulenta – secreção mais espessa e amarelada, associada com mais frequência aos quadros bacterianos.
- Secreção esbranquiçada – mais clara e em menor quantidade, comum nos quadros virais.
- Fotofobia – incômodo ou dor ao olhar para a luz.
- Visão embaçada – sensação passageira de visão menos nítida.
Sinais que pedem avaliação com prioridade
Alguns sinais merecem atenção mais rápida, sem que isso signifique motivo para pânico:
- Dor ocular importante – desconforto que vai além da ardência ou da coceira.
- Alteração na visão – visão embaçada que não melhora ou piora ao longo do dia.
- Sensibilidade intensa à luz – dificuldade real de manter os olhos abertos em ambientes claros.
- Sintomas que não melhoram – quadro que se mantém ou piora com o passar dos dias.
- Uso de lentes de contato – quem usa lentes precisa de avaliação sempre que houver irritação ocular.
Como a conjuntivite é diagnosticada?
O diagnóstico da conjuntivite é clínico. O oftalmologista avalia os sintomas, o histórico do paciente e o aspecto dos olhos durante a consulta. Exames laboratoriais são exceção.
Boa parte da avaliação acontece na conversa. Algumas informações ajudam o profissional a identificar o tipo do quadro:
- Início dos sintomas – há quanto tempo começaram e como evoluíram.
- Olhos afetados – se um ou os dois, e em que ordem.
- Aspecto da secreção – cor, consistência e quantidade.
- Contato recente – convívio com alguém com sintomas parecidos.
- Histórico de alergia – episódios anteriores e época do ano.
- Uso de lentes de contato – tipo, tempo de uso e higienização.
No exame, é comum o uso da lâmpada de fenda, um aparelho com luz e lentes de aumento que permite observar pálpebras, conjuntiva e córnea em detalhe. É rápido e indolor.
A coleta de secreção para análise costuma ser considerada apenas em quadros que não melhoram como o esperado ou que se repetem com frequência.
Esse cuidado tem um motivo: olho vermelho não é sinônimo de conjuntivite. Outras condições oculares apresentam sinais parecidos e pedem condutas diferentes.
Qual é o tratamento da conjuntivite?
Não existe um tratamento único para conjuntivite, porque a conduta depende da causa identificada. É por isso que o diagnóstico vem sempre antes.
O que funciona para um quadro alérgico pode ser inadequado para um quadro infeccioso, e o contrário também é verdadeiro. No entanto, alguns cuidados de suporte contribuem para o conforto durante o quadro, sempre em conjunto com a orientação profissional:
- Higienizar bem as mãos – antes e depois de tocar na região dos olhos.
- Limpar as pálpebras com delicadeza – removendo a secreção acumulada, com material limpo e um item diferente para cada olho.
- Usar compressas – conforme a orientação recebida na consulta, sem aplicar gelo diretamente na pele.
- Evitar coçar os olhos – o atrito piora a irritação e espalha a secreção.
- Suspender as lentes de contato – o retorno ao uso deve ser liberado pelo oftalmologista.
- Usar óculos escuros – ajudam quando há incômodo com a luz.
Além do que fazer, também é importante saber o que evitar, pois algumas ações podem piorar o quadro. Veja:
- Automedicação – o principal risco, porque o produto, mesmo que seja um colírio, pode ser inadequado para o tipo de conjuntivite.
- Colírio de outra pessoa – o compartilhamento facilita a contaminação e a conduta pode não ser a indicada.
- Receitas caseiras nos olhos – substâncias aplicadas diretamente na região podem agravar a inflamação.
- Voltar às lentes cedo demais – não é recomendado voltar a usar antes da liberação profissional.
Conjuntivite em bebês e crianças
Crianças em creches e escolas ficam mais expostas à conjuntivite pelo contato próximo e pela dificuldade natural de manter a higiene das mãos ao longo do dia.
Os sintomas são semelhantes aos dos adultos, mas a avaliação precisa ser mais ágil. Crianças pequenas nem sempre conseguem descrever bem o que sentem.
A automedicação em bebês e crianças não deve ser feita em nenhuma hipótese, mesmo com produtos que já foram usados antes na família.
Existe ainda a conjuntivite neonatal, que ocorre nas primeiras semanas de vida do bebê. É uma situação específica, que exige avaliação médica imediata. As maternidades adotam uma rotina de prevenção logo após o nascimento.
Sobre a volta à creche ou à escola, a orientação deve vir do pediatra ou do oftalmologista, considerando o tipo do quadro e a evolução dos sintomas.
Como prevenir a conjuntivite?
A prevenção da conjuntivite passa por hábitos simples de higiene, que fazem diferença especialmente em períodos de aumento de casos:
- Higienize as mãos com frequência – essa é a medida mais eficaz, e vale reforçar a rotina de higiene das mãos no dia a dia.
- Evite levar as mãos aos olhos – principalmente fora de casa, ao encostar em lugares em que muitas pessoas encostam.
- Não compartilhe toalhas – prefira toalhas individuais ou papel para o rosto.
- Troque as fronhas com frequência – sobretudo durante o quadro, é importante manter esse passo.
- Não compartilhe maquiagem – rímel, delineador, esponjas e pincéis são itens de uso pessoal.
- Cuide das lentes de contato – siga a orientação sobre higienização, armazenamento e tempo de uso.
- Redobre a atenção em ambientes coletivos – locais fechados e com muita gente favorecem a transmissão.
Nenhuma medida elimina totalmente o risco, mas o conjunto desses cuidados reduz bastante as chances de contágio e de transmissão para outras pessoas.
CID da conjuntivite: o que significa o código H10
O código H10 da CID-10 corresponde à conjuntivite. A CID é a Classificação Internacional de Doenças, usada para padronizar registros em prontuários, atestados e sistemas de saúde. Dentro do H10, existem subcategorias que especificam o tipo do quadro:
| Código | Descrição |
| H10 | Conjuntivite |
| H10.0 | Conjuntivite mucopurulenta |
| H10.1 | Conjuntivite aguda atópica |
| H10.2 | Outras conjuntivites agudas |
| H10.3 | Conjuntivite aguda não especificada |
| H10.4 | Conjuntivite crônica |
| H10.5 | Blefaroconjuntivite |
| H10.8 | Outras conjuntivites |
| H10.9 | Conjuntivite não especificada |
Vale registrar que a ceratoconjuntivite, quadro que envolve também a córnea, tem código próprio e não está incluída no H10.
Quem define o código é sempre o profissional que realizou o atendimento, com base no exame clínico. O código serve para registro e estatística, não para autoavaliação.
Cuide da sua saúde ocular o ano todo
A conjuntivite chama atenção porque incomoda e aparece. Boa parte das doenças oculares faz o contrário: evolui em silêncio e só é identificada em exame.
Por isso, a consulta oftalmológica não deveria esperar o desconforto. A avaliação periódica é o que permite perceber alterações cedo, quando ainda há mais caminhos de cuidado. Saiba mais em nossa campanha “Visão de futuro: continuar tendo visão”.
Perguntas frequentes sobre conjuntivite
A conjuntivite pode ser causada por vírus, bactérias, alérgenos como poeira, ácaros e pólen, ou substâncias irritantes como cloro de piscina, fumaça e produtos de limpeza. Levar as mãos aos olhos sem higienizá-las é um dos fatores de risco mais comuns.
As conjuntivites viral e bacteriana são contagiosas. As formas alérgica e irritativa não são. Nos quadros infecciosos, a transmissão acontece pelo contato com as secreções oculares, de forma direta, pelas mãos, ou indireta, por toalhas, fronhas, maquiagem e objetos compartilhados.
A duração da conjuntivite varia conforme o tipo e a resposta de cada pessoa ao quadro. Nos casos alérgicos, os sintomas tendem a persistir enquanto houver exposição à substância que desencadeou a reação. O acompanhamento profissional permite avaliar a evolução e identificar se algo foge do esperado.
A conjuntivite se transmite principalmente pelo contato com as secreções oculares, de forma direta ou por objetos contaminados, e não pela simples presença no mesmo ambiente. Não se pega conjuntivite apenas por olhar para alguém com o olho vermelho.
Quem está com conjuntivite contagiosa precisa de orientação profissional sobre a necessidade de afastamento. A decisão considera o tipo do quadro e o ambiente: locais fechados, com contato próximo e objetos de uso compartilhado, aumentam o risco de transmissão.
A principal diferença entre conjuntivite viral e bacteriana está na secreção. Na viral, ela costuma ser mais clara e em menor quantidade. Na bacteriana, mais espessa e amarelada, com pálpebras frequentemente grudadas ao acordar. A diferenciação é clínica e cabe ao profissional.
Não. O colírio para conjuntivite precisa ser indicado por um profissional, porque cada categoria atua sobre uma causa diferente. O uso por conta própria pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico correto. Colírios com antibiótico exigem prescrição.
Não. A conjuntivite alérgica não é contagiosa, porque resulta de uma reação do organismo a substâncias como poeira, ácaros, pólen e pelos de animais. Como não há vírus nem bactéria envolvidos, não existe transmissão entre pessoas.
A conjuntivite em bebê exige avaliação do pediatra ou do oftalmologista, sempre. A automedicação não deve ser feita em nenhuma hipótese, mesmo com produtos já usados por outras pessoas da família. Nos primeiros 28 dias de vida, a avaliação precisa ser imediata.
O alívio dos sintomas da conjuntivite envolve higienizar bem as mãos, limpar as pálpebras com delicadeza, evitar coçar os olhos e suspender o uso de lentes de contato. São medidas de conforto, não tratamento. A conduta é definida pelo profissional.