O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo, e a maioria das pessoas entra em contato com o vírus em algum momento da vida. A boa notícia é que existem formas eficazes de prevenção.
Neste conteúdo, você entende o que é o vírus, como ele é transmitido, quais sinais podem aparecer e quais cuidados ajudam a se proteger. Confira!
Índice
O que é o HPV (papilomavírus humano)?
HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano, um vírus que infecta a pele e as mucosas e que tem mais de 200 variações. Pelo menos 12 delas são consideradas oncogênicas, ou seja, apresentam maior risco de contribuir para o surgimento do câncer.
Os tipos 16 e 18, por exemplo, estão presentes em 70% dos casos de câncer do colo do útero. Já os tipos 6 e 11 são considerados de baixo risco, mas causam verrugas nos genitais e no ânus, além de lesões na garganta.
Como o HPV é transmitido?
O HPV é transmitido pelo contato direto com a pele ou mucosa infectada. A principal forma de contágio é por via sexual, e a transmissão pode acontecer mesmo sem penetração vaginal ou anal.
As principais formas de transmissão são:
- contato genital-genital;
- contato oral-genital;
- contato manual-genital;
- durante o parto, da mãe para o bebê.
Um esclarecimento importante: não há comprovação de transmissão por vaso sanitário, piscina, compartilhamento de roupas íntimas ou toalhas. Ou seja, o contato casual do dia a dia não é uma via conhecida de transmissão.
Quais são os sintomas do HPV?
Na maioria dos casos, o HPV não causa nenhum sintoma. Por isso, muitas pessoas têm o vírus sem saber, o que reforça a importância dos exames preventivos de rotina.
Quando aparecem, as verrugas surgem principalmente na região genital e anal. Elas recebem o nome de condiloma acuminado e ficaram conhecidas popularmente como crista de galo.
Existem também as lesões subclínicas, que não são visíveis a olho nu e só podem ser identificadas em exames feitos com lente de aumento ou com reagentes de contraste. Parte das lesões regride sozinha, sem necessidade de intervenção.
Em alguns casos, o vírus pode ficar latente por meses ou anos, sem manifestar sinais visíveis. A queda da imunidade é um dos fatores que pode favorecer o surgimento das lesões.
Os primeiros sinais costumam aparecer entre 2 e 8 meses após o contato com o vírus. Em algumas situações, porém, pode levar até 20 anos para que as primeiras manifestações aconteçam. Por causa desse intervalo, identificar o HPV não permite saber quando nem em qual relação aconteceu o contato com o vírus.
Como é feito o diagnóstico do HPV?
O diagnóstico do HPV pode ser feito de duas formas: pelo exame clínico, quando há verrugas visíveis, ou por exames laboratoriais, quando não há sinais aparentes.
Quando existem verrugas anogenitais, o médico consegue identificar por meio do exame clínico, tanto em homens quanto em mulheres.
Quando não há sinais visíveis, são solicitados exames laboratoriais que analisam as células e o material genético do vírus, como a citopatologia (o popular preventivo, ou Papanicolau), a histopatologia (análise de um pequeno fragmento de tecido) e a biologia molecular (que identifica o DNA do vírus).
Em alguns casos, o médico também utiliza exames com lentes de aumento e reagentes de contraste para visualizar melhor a lesão, como a colposcopia (colo do útero), a peniscopia (pênis) e a anuscopia (ânus).
HPV e câncer: qual é a relação?
Ter HPV não significa que a pessoa terá câncer. Na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico elimina o vírus em até 24 meses, sem deixar sequelas.
O risco existe quando a infecção é persistente e causada por tipos de alto risco oncogênico, como o 16 e o 18. Nesses casos, o vírus pode permanecer no organismo por longos períodos e provocar alterações nas células da região.
Essas alterações são chamadas de lesões precursoras. Quando não são acompanhadas e tratadas no tempo certo, elas podem evoluir para câncer.
O HPV está associado sobretudo ao câncer do colo do útero, mas também aos cânceres de vagina, vulva, ânus, pênis, boca e garganta. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer, o Brasil poderá registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028.
Existe tratamento para o HPV?
Não existe tratamento capaz de eliminar o HPV do organismo. O que se trata são as lesões e as verrugas causadas por ele. Na maior parte das vezes, é o próprio sistema imunológico que se encarrega de eliminar o vírus.
O tratamento das verrugas genitais é feito de forma individual, considerando o tamanho, a localização e a quantidade. Existem métodos químicos, físicos e cirúrgicos, sempre definidos por avaliação profissional.
Como o tratamento age sobre as lesões, e não sobre o vírus em si, as verrugas podem reaparecer. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental.
Como prevenir o HPV?
A prevenção do HPV é mais eficaz quando combina diferentes cuidados. As principais medidas são:
- vacinação, a forma mais eficaz de prevenção;
- uso de preservativo interno ou externo nas relações sexuais;
- exames preventivos de rotina, que ajudam a detectar lesões precocemente.
Vale saber que o preservativo, sozinho, não garante proteção total, já que algumas lesões podem estar em locais não cobertos por ele, como a região do períneo. Por isso, a vacina tem papel tão importante.
A vacina, por sua vez, também não protege contra todos os tipos de HPV. Quem já se vacinou deve manter os exames preventivos de rotina.
Saiba como funciona a vacinação contra o HPV
A vacina contra o HPV é preventiva, ou seja, não trata lesões ou infecções que já existem. Ela funciona estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos que neutralizam o vírus antes que ele infecte as células.
Na rede pública (SUS), a vacina está disponível gratuitamente para os seguintes grupos:
- crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, em dose única;
- adolescentes e jovens de 15 a 19 anos sem registro de vacinação, dentro da estratégia de resgate do Ministério da Saúde, prorrogada até 31 de dezembro de 2026;
- pessoas imunodeprimidas de 9 a 45 anos, como quem vive com HIV, pacientes transplantados e pacientes oncológicos;
- pessoas com papilomatose respiratória recorrente a partir de 2 anos;
- usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV) de 15 a 45 anos;
- vítimas de abuso sexual de 9 a 45 anos.
Para os grupos especiais, o esquema de doses é diferente do indicado para crianças e adolescentes. A orientação é procurar a unidade básica de saúde mais próxima para avaliação e atualização da caderneta. Na rede privada, o imunizante é indicado para homens e mulheres de 9 a 45 anos.
HPV no trabalho: o que muda com a Lei nº 15.377/2026
A Lei nº 15.377/2026 é uma atualização da CLT que passa a exigir que as empresas informem e conscientizem os colaboradores sobre campanhas de vacinação, HPV e cânceres de mama, colo do útero e próstata, sempre de acordo com as orientações do Ministério da Saúde.
A CLT já garantia a ausência para exames preventivos de câncer. A novidade é que esse direito passou a valer também para os exames preventivos de HPV e que a empresa agora precisa comunicar isso ao colaborador.
São até três dias a cada 12 meses, sem prejuízo do salário, mediante comprovação. Saiba mais sobre a Lei nº 15.377/2026 e o que ela exige das empresas.
Perguntas frequentes sobre HPV
O HPV não tem um tratamento capaz de eliminar o vírus, mas, na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico o elimina em até 24 meses. As lesões causadas pelo vírus, quando aparecem, podem ser tratadas.
Não. A via sexual é a principal forma de transmissão, mas o vírus também pode ser transmitido da mãe para o bebê durante o parto. O contato com objetos como toalhas e vasos sanitários não é uma via comprovada.
Sim. A vacina contra o HPV é indicada para meninos e homens, e a imunização masculina é importante tanto para a proteção individual quanto para reduzir a circulação do vírus.
Sim. A vacina não trata uma infecção que já existe, mas pode ajudar a proteger contra outros tipos do vírus. O ideal é conversar com um profissional de saúde para avaliar cada caso.
Sim. A vacina contra o HPV é considerada segura pelo Ministério da Saúde e é uma das principais formas de prevenção dos cânceres associados ao vírus.
Basta consultar o histórico de vacinação no aplicativo Meu SUS Digital ou procurar a UBS mais próxima.