HPV: o que é, sintomas, transmissão e como se prevenir  

26 de agosto de 2026

HPV

O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo, e a maioria das pessoas entra em contato com o vírus em algum momento da vida. A boa notícia é que existem formas eficazes de prevenção. 

Neste conteúdo, você entende o que é o vírus, como ele é transmitido, quais sinais podem aparecer e quais cuidados ajudam a se proteger. Confira! 

O que é o HPV (papilomavírus humano)? 

HPV é a sigla em inglês para papilomavírus humano, um vírus que infecta a pele e as mucosas e que tem mais de 200 variações. Pelo menos 12 delas são consideradas oncogênicas, ou seja, apresentam maior risco de contribuir para o surgimento do câncer. 

Os tipos 16 e 18, por exemplo, estão presentes em 70% dos casos de câncer do colo do útero. Já os tipos 6 e 11 são considerados de baixo risco, mas causam verrugas nos genitais e no ânus, além de lesões na garganta. 

Como o HPV é transmitido?  

O HPV é transmitido pelo contato direto com a pele ou mucosa infectada. A principal forma de contágio é por via sexual, e a transmissão pode acontecer mesmo sem penetração vaginal ou anal. 

As principais formas de transmissão são: 

  • contato genital-genital; 
  • contato oral-genital; 
  • contato manual-genital; 
  • durante o parto, da mãe para o bebê. 

Um esclarecimento importante: não há comprovação de transmissão por vaso sanitário, piscina, compartilhamento de roupas íntimas ou toalhas. Ou seja, o contato casual do dia a dia não é uma via conhecida de transmissão. 

Quais são os sintomas do HPV?  

Na maioria dos casos, o HPV não causa nenhum sintoma. Por isso, muitas pessoas têm o vírus sem saber, o que reforça a importância dos exames preventivos de rotina. 

Quando aparecem, as verrugas surgem principalmente na região genital e anal. Elas recebem o nome de condiloma acuminado e ficaram conhecidas popularmente como crista de galo. 

Existem também as lesões subclínicas, que não são visíveis a olho nu e só podem ser identificadas em exames feitos com lente de aumento ou com reagentes de contraste. Parte das lesões regride sozinha, sem necessidade de intervenção. 

Em alguns casos, o vírus pode ficar latente por meses ou anos, sem manifestar sinais visíveis. A queda da imunidade é um dos fatores que pode favorecer o surgimento das lesões. 

Os primeiros sinais costumam aparecer entre 2 e 8 meses após o contato com o vírus. Em algumas situações, porém, pode levar até 20 anos para que as primeiras manifestações aconteçam. Por causa desse intervalo, identificar o HPV não permite saber quando nem em qual relação aconteceu o contato com o vírus. 

Como é feito o diagnóstico do HPV?  

O diagnóstico do HPV pode ser feito de duas formas: pelo exame clínico, quando há verrugas visíveis, ou por exames laboratoriais, quando não há sinais aparentes. 

Quando existem verrugas anogenitais, o médico consegue identificar por meio do exame clínico, tanto em homens quanto em mulheres. 

Quando não há sinais visíveis, são solicitados exames laboratoriais que analisam as células e o material genético do vírus, como a citopatologia (o popular preventivo, ou Papanicolau), a histopatologia (análise de um pequeno fragmento de tecido) e a biologia molecular (que identifica o DNA do vírus). 

Em alguns casos, o médico também utiliza exames com lentes de aumento e reagentes de contraste para visualizar melhor a lesão, como a colposcopia (colo do útero), a peniscopia (pênis) e a anuscopia (ânus). 

HPV e câncer: qual é a relação?  

Ter HPV não significa que a pessoa terá câncer. Na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico elimina o vírus em até 24 meses, sem deixar sequelas. 

O risco existe quando a infecção é persistente e causada por tipos de alto risco oncogênico, como o 16 e o 18. Nesses casos, o vírus pode permanecer no organismo por longos períodos e provocar alterações nas células da região. 

Essas alterações são chamadas de lesões precursoras. Quando não são acompanhadas e tratadas no tempo certo, elas podem evoluir para câncer. 

O HPV está associado sobretudo ao câncer do colo do útero, mas também aos cânceres de vagina, vulva, ânus, pênis, boca e garganta. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer, o Brasil poderá registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano entre 2026 e 2028. 

Existe tratamento para o HPV?  

Não existe tratamento capaz de eliminar o HPV do organismo. O que se trata são as lesões e as verrugas causadas por ele. Na maior parte das vezes, é o próprio sistema imunológico que se encarrega de eliminar o vírus. 

O tratamento das verrugas genitais é feito de forma individual, considerando o tamanho, a localização e a quantidade. Existem métodos químicos, físicos e cirúrgicos, sempre definidos por avaliação profissional. 

Como o tratamento age sobre as lesões, e não sobre o vírus em si, as verrugas podem reaparecer. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental. 

Como prevenir o HPV?  

A prevenção do HPV é mais eficaz quando combina diferentes cuidados. As principais medidas são: 

  • vacinação, a forma mais eficaz de prevenção; 
  • uso de preservativo interno ou externo nas relações sexuais; 
  • exames preventivos de rotina, que ajudam a detectar lesões precocemente. 

Vale saber que o preservativo, sozinho, não garante proteção total, já que algumas lesões podem estar em locais não cobertos por ele, como a região do períneo. Por isso, a vacina tem papel tão importante. 

A vacina, por sua vez, também não protege contra todos os tipos de HPV. Quem já se vacinou deve manter os exames preventivos de rotina. 

Saiba como funciona a vacinação contra o HPV  

A vacina contra o HPV é preventiva, ou seja, não trata lesões ou infecções que já existem. Ela funciona estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos que neutralizam o vírus antes que ele infecte as células. 

Na rede pública (SUS), a vacina está disponível gratuitamente para os seguintes grupos: 

  • crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, em dose única; 
  • adolescentes e jovens de 15 a 19 anos sem registro de vacinação, dentro da estratégia de resgate do Ministério da Saúde, prorrogada até 31 de dezembro de 2026; 
  • pessoas imunodeprimidas de 9 a 45 anos, como quem vive com HIV, pacientes transplantados e pacientes oncológicos; 
  • pessoas com papilomatose respiratória recorrente a partir de 2 anos; 
  • usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV) de 15 a 45 anos; 
  • vítimas de abuso sexual de 9 a 45 anos. 

Para os grupos especiais, o esquema de doses é diferente do indicado para crianças e adolescentes. A orientação é procurar a unidade básica de saúde mais próxima para avaliação e atualização da caderneta. Na rede privada, o imunizante é indicado para homens e mulheres de 9 a 45 anos. 

HPV no trabalho: o que muda com a Lei nº 15.377/2026  

A Lei nº 15.377/2026 é uma atualização da CLT que passa a exigir que as empresas informem e conscientizem os colaboradores sobre campanhas de vacinação, HPV e cânceres de mama, colo do útero e próstata, sempre de acordo com as orientações do Ministério da Saúde. 

A CLT já garantia a ausência para exames preventivos de câncer. A novidade é que esse direito passou a valer também para os exames preventivos de HPV e que a empresa agora precisa comunicar isso ao colaborador. 

São até três dias a cada 12 meses, sem prejuízo do salário, mediante comprovação. Saiba mais sobre a Lei nº 15.377/2026 e o que ela exige das empresas

Perguntas frequentes sobre HPV 

HPV tem cura? 

O HPV não tem um tratamento capaz de eliminar o vírus, mas, na maioria dos casos, o próprio sistema imunológico o elimina em até 24 meses. As lesões causadas pelo vírus, quando aparecem, podem ser tratadas. 

O HPV é sempre transmitido por relação sexual? 

Não. A via sexual é a principal forma de transmissão, mas o vírus também pode ser transmitido da mãe para o bebê durante o parto. O contato com objetos como toalhas e vasos sanitários não é uma via comprovada. 

Homem também deve se vacinar contra o HPV? 

Sim. A vacina contra o HPV é indicada para meninos e homens, e a imunização masculina é importante tanto para a proteção individual quanto para reduzir a circulação do vírus. 

Quem já teve contato com o HPV ainda pode se vacinar? 

Sim. A vacina não trata uma infecção que já existe, mas pode ajudar a proteger contra outros tipos do vírus. O ideal é conversar com um profissional de saúde para avaliar cada caso. 

A vacina contra o HPV é segura? 

Sim. A vacina contra o HPV é considerada segura pelo Ministério da Saúde e é uma das principais formas de prevenção dos cânceres associados ao vírus. 

Como saber se já tomei a vacina contra o HPV? 

Basta consultar o histórico de vacinação no aplicativo Meu SUS Digital ou procurar a UBS mais próxima.

  • 26/08/2026 11:40Versão atual
  • 26/08/2026 11:39Revisão

Conteúdo produzido pela equipe de Gestão de Saúde da MDS Brasil

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Dr. Claudio Albuquerque

Diretor Executivo Médico da MDS Brasil (CRM 188683)

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