Depois que o bebê nasce, todos os olhares se voltam para ele. Mas e a mãe? O puerpério é a fase em que o corpo e as emoções dela passam por transformações intensas, e cuidar de quem cuida faz toda a diferença.
No episódio 24 do MDS Cast, Natalie Veiga, enfermeira especialista em Saúde Pública e Obstetrícia, Talita Saud, enfermeira de Gestão de Saúde na MDS Brasil, e Nayara Bertolazo, gerente de Gestão de Saúde na MDS Brasil, se reúnem para conversar sobre o puerpério e os cuidados com a mãe após o parto.
Ao longo do episódio, elas explicam o que é o puerpério, quanto tempo ele dura, quais mudanças são esperadas nessa fase, o papel da rede de apoio e os principais desafios da amamentação, tema do Agosto Dourado.
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O que é puerpério?
Puerpério é o período que começa logo após o parto e vai até o corpo da mãe retornar às condições anteriores à gravidez, o que leva, em média, seis semanas.
Você talvez conheça essa fase por outros nomes: resguardo ou quarentena. Todos se referem ao mesmo momento, em que o organismo se recupera das mudanças da gestação e do parto.
Uma das principais transformações é a involução uterina, que é o processo natural de o útero voltar ao tamanho que tinha antes da gravidez. Ao mesmo tempo, acontecem ajustes hormonais, físicos e emocionais.
Por isso, o puerpério não é só uma recuperação do corpo. É também um período de adaptação a uma rotina completamente nova, e a mãe merece tanto cuidado quanto o bebê.
Quanto tempo dura o puerpério?
O puerpério dura, em média, seis semanas, mas esse tempo varia de mulher para mulher. Fatores como o tipo de parto, a amamentação e a recuperação individual influenciam essa duração.
Vale lembrar que as seis semanas são uma referência, não uma regra. Algumas mudanças físicas e emocionais podem se estender por mais tempo, e isso também faz parte do processo.
Um cuidado importante nessa fase é a consulta de revisão pós-parto, geralmente agendada entre 30 e 40 dias após o nascimento do bebê. Ela serve para avaliar a recuperação da mãe, apoiar a amamentação e tirar dúvidas.
Fases do puerpério: imediato, tardio e remoto
O puerpério pode se dividir em três fases:
- Puerpério imediato – do 1º ao 10º dia após o parto. É a fase mais delicada, com sangramento mais intenso, cólicas e o início da adaptação à nova rotina. O repouso é fundamental.
- Puerpério tardio – do 11º ao 45º dia. O corpo segue em recuperação, o sangramento diminui gradualmente e a rotina com o bebê começa a se organizar.
- Puerpério remoto – a partir do 45º dia, com término variável. As mudanças continuam em ritmo mais lento, especialmente para quem amamenta.
Cada organismo tem seu tempo. Comparar a própria recuperação com a de outras mães costuma gerar mais ansiedade do que ajuda.
Sintomas e mudanças comuns no puerpério
No puerpério, é comum a mãe sentir alterações físicas e emocionais enquanto o corpo se recupera do parto e se adapta à nova fase. Entre as mudanças físicas mais frequentes estão:
- Sangramento vaginal – mais intenso nos primeiros dias, diminuindo aos poucos.
- Cólicas – causadas pela involução uterina, o retorno do útero ao tamanho normal.
- Alterações nas mamas – com a chegada do leite, elas ficam mais cheias e sensíveis.
- Cansaço – o esforço do parto somado às noites de sono interrompido pesa bastante.
No campo emocional, oscilações de humor também são esperadas. A queda hormonal, a privação de sono e a adaptação à maternidade mexem com qualquer pessoa.
Puerpério emocional: cuidar da mente também
Puerpério emocional é o conjunto de mudanças emocionais que acompanham o pós-parto, e entender o que é esperado ajuda a identificar quando buscar apoio.
Nos primeiros dias, muitas mães vivem o chamado baby blues, também conhecido como tristeza puerperal: choro fácil, sensibilidade, irritabilidade e insegurança. É uma condição transitória, ligada às mudanças hormonais e ao cansaço, que tende a passar em algumas semanas.
A depressão pós-parto é diferente. Os sintomas são mais intensos e persistentes: tristeza profunda que não passa, falta de interesse pelas atividades, fadiga extrema e dificuldade de criar vínculo com o bebê. Ela pode surgir em qualquer momento do primeiro ano após o parto.
Segundo a pesquisa Nascer no Brasil, da Fiocruz, cerca de 1 em cada 4 mulheres apresenta sintomas de depressão no pós-parto. Ou seja, se você está passando por isso, não está sozinha e não é culpa sua.
A regra prática é simples: se os sentimentos difíceis não melhoram após algumas semanas, ou se estão muito intensos, procure um profissional de saúde. Pedir ajuda é um ato de cuidado com você e com o bebê.
Sinais de atenção: quando procurar ajuda
Alguns sinais no puerpério merecem avaliação profissional o quanto antes:
- sangramento muito intenso ou com odor forte;
- febre;
- dor que não melhora ou piora com o tempo;
- vermelhidão, calor e dor intensa nas mamas;
- tristeza profunda e persistente ou pensamentos que assustam.
Na dúvida, procure sempre um profissional de saúde. Nenhuma preocupação é pequena demais quando o assunto é a sua recuperação.
A importância da rede de apoio no pós-parto
A rede de apoio, formada por parceiro, família, amigos e profissionais de saúde, ajuda a mãe a descansar, a se recuperar e a amamentar com mais tranquilidade.
Na prática, apoiar uma puérpera pode ser simples: cuidar do bebê enquanto ela dorme, assumir tarefas da casa, preparar refeições, acompanhar nas consultas e, principalmente, escutar sem julgar.
A amamentação também não precisa ser um processo solitário. Profissionais de saúde e os bancos de leite humano oferecem orientação gratuita para quem enfrenta dificuldades.
As empresas fazem parte dessa rede. Ambientes de trabalho que acolhem a maternidade, com licenças respeitadas e retorno gradual bem planejado, contribuem diretamente para a saúde da mãe e do bebê.
Agosto Dourado e amamentação no puerpério
O Agosto Dourado é o mês de conscientização sobre o aleitamento materno no Brasil, instituído pela Lei nº 13.435/2017. A cor dourada representa o padrão ouro de qualidade do leite materno.
A recomendação oficial do Ministério da Saúde é a amamentação exclusiva até os 6 meses de vida, sem necessidade de água, chás ou outros alimentos, e continuada até os 2 anos ou mais.
Como o puerpério e o início da amamentação acontecem juntos, os desafios dessa fase costumam se misturar. E a boa notícia é que a maioria deles tem solução com informação e apoio.
Como saber se a amamentação não está indo bem
Alguns sinais indicam que a amamentação precisa de ajustes, e o mais importante deles é a dor persistente. Fique atenta a estes pontos:
- Dor ao amamentar – amamentar não deveria doer. A principal causa de fissuras nos mamilos é a pega incorreta e o mau posicionamento do bebê.
- Barulhos durante a mamada – estalos podem indicar que o bebê está engolindo ar, o que pede uma avaliação da pega.
- Bicos artificiais – mamadeiras e chupetas são desencorajadas pela Organização Mundial da Saúde para bebês amamentados, pois podem causar a chamada confusão de bicos e dificultar a pega.
Vale saber também que o formato da mama ou do mamilo não impede a amamentação. Algumas mães só precisam de mais apoio e paciência no começo.
Além do manejo, fatores como alterações hormonais, diabetes e problemas de tireoide podem influenciar a amamentação. Por isso, o acompanhamento profissional durante o puerpério é tão importante.
Se as dificuldades persistirem, procure um profissional de saúde ou um banco de leite humano da sua região.
Como cuidar de si durante o puerpério?
Cuidar de si no puerpério significa respeitar o próprio tempo de recuperação, com descanso, alimentação, hidratação e apoio emocional. Algumas atitudes ajudam nessa fase:
- Descanse sempre que possível – aproveite os momentos de sono do bebê para dormir também.
- Hidrate-se e alimente-se bem – o corpo precisa de energia para se recuperar e produzir leite.
- Aceite ajuda – delegar tarefas não é fraqueza, é estratégia de recuperação.
- Não pule a consulta de revisão pós-parto – ela é parte essencial do cuidado.
- Fale sobre o que sente – compartilhar as emoções com pessoas de confiança e profissionais alivia o peso dessa fase.
O puerpério passa, mas a forma como a mãe é cuidada nesse período deixa marcas duradouras na saúde dela e do bebê. Pedir ajuda é parte do cuidado, não o contrário.
Neste Agosto Dourado, conheça a campanha Via Láctea: Um Universo de Cuidados e continue acompanhando os conteúdos do Portal De Bem Com a Vida.
Perguntas frequentes sobre o puerpério
Puerpério é o período que começa logo após o parto e termina quando o corpo da mãe retorna às condições anteriores à gravidez, em média seis semanas. Também é chamado popularmente de resguardo ou quarentena.
O puerpério dura, em média, seis semanas após o parto, mas o tempo varia conforme o tipo de parto, a amamentação e a recuperação de cada mulher.
O resguardo, nome popular do puerpério, dura em média 40 a 45 dias após o parto. Esse prazo é uma referência: cada corpo tem seu ritmo de recuperação.
O puerpério tem três fases: imediato, do 1º ao 10º dia após o parto; tardio, do 11º ao 45º dia; e remoto, a partir do 45º dia, com término variável.
Puérpera é a mulher que está no puerpério, ou seja, no período de recuperação após o parto. O termo puerperal se refere a tudo relacionado a essa fase.
Estado puerperal é o conjunto de alterações físicas, hormonais e emocionais que a mulher vive logo após o parto, enquanto o organismo se recupera da gestação.
Involução uterina é o processo natural em que o útero retorna ao tamanho que tinha antes da gravidez. Ela provoca cólicas nos primeiros dias e é um sinal esperado de recuperação.
Globo de Pinard, ou globo de segurança de Pinard, é o nome dado ao útero contraído e endurecido, sentido na altura do abdômen logo após o parto. É um sinal de que o útero está se contraindo como esperado, ajudando a controlar o sangramento.
Perinatal é o período que envolve o final da gestação, o parto e os primeiros dias de vida do bebê. O termo aparece em expressões como cuidado perinatal e saúde mental perinatal, que abrangem a atenção à mãe e ao bebê nessa fase.
Baby blues é uma tristeza passageira dos primeiros dias após o parto, que tende a desaparecer em algumas semanas. A depressão pós-parto é mais intensa e persistente, pode surgir em qualquer momento do primeiro ano e pede acompanhamento profissional.
Mastite puerperal é uma inflamação da mama que pode ocorrer durante a amamentação, geralmente ligada ao acúmulo de leite. Os sinais mais comuns são dor, vermelhidão, calor local e febre. Diante desses sintomas, procure atendimento profissional: na maioria dos casos, a amamentação pode ser mantida com o cuidado adequado.