O diabetes é uma doença crônica que acontece quando o corpo não produz insulina suficiente ou não consegue usar bem a insulina que produz, o que faz a glicose se acumular no sangue.
No Brasil, cerca de 16,6 milhões de adultos vivem com diabetes, segundo o Atlas do Diabetes da International Diabetes Federation (IDF), o que coloca o país entre os seis com mais casos no mundo. Estima-se ainda que cerca de 31,9% das pessoas com diabetes no país não saibam que têm a doença.
Abaixo você entende o que é diabetes, quais são os tipos, os sintomas mais comuns, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento. Confira!
Índice
O que é diabetes?
O diabetes (também chamado de diabetes mellitus ou diabete) é uma doença crônica em que a glicose, o açúcar que circula no sangue, permanece em níveis mais altos do que o organismo consegue administrar.
Isso acontece por dois motivos principais: o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina, ou o corpo não responde bem à insulina que produz. Com o tempo, a glicose elevada danifica vasos sanguíneos e nervos, afetando principalmente coração, olhos, rins e pés.
A boa notícia é que o diabetes tem tratamento e acompanhamento disponíveis. Com controle adequado, é possível conviver bem com a doença e reduzir bastante o risco de complicações.
O que é a insulina e qual a sua função?
A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que funciona como uma chave: ela permite que a glicose saia do sangue e entre nas células, onde é usada como energia.
Quando falta insulina ou quando o corpo passa a responder mal a ela (a chamada resistência à insulina), a glicose fica acumulada na corrente sanguínea. É esse acúmulo que caracteriza o diabetes.
O que é glicemia e o que significa glicose alta?
Glicemia é a quantidade de glicose presente no sangue, medida em miligramas por decilitro (mg/dL). O exame mais comum é a glicemia de jejum, feito após pelo menos 8 horas sem comer. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, os valores de referência em jejum são:
| Glicemia de jejum | O que indica |
| Abaixo de 70 mg/dL | Hipoglicemia (glicose baixa) |
| Até 99 mg/dL | Valor normal |
| De 100 a 125 mg/dL | Pré-diabetes |
| 126 mg/dL ou mais | Diabetes |
Glicose alta, portanto, é o resultado que ultrapassa a faixa considerada normal. Um exame isolado não fecha diagnóstico: a interpretação depende do histórico de cada pessoa e da avaliação médica. Os critérios completos estão na Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Quais são os tipos de diabetes?
Os principais tipos são diabetes tipo 1, tipo 2, gestacional e LADA, além da pré-diabetes, que é um estágio anterior ao tipo 2.
Diabetes tipo 1
No diabetes tipo 1, o próprio sistema imunológico ataca e destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina. Por isso, ele é classificado como uma doença autoimune, e não como consequência de hábitos de vida.
O pico de incidência ocorre entre 10 e 14 anos, e no Brasil estima-se que surjam 25,6 casos por 100 mil habitantes a cada ano, segundo o Ministério da Saúde. O diagnóstico em adultos também acontece.
O tratamento exige uso diário de insulina para manter a glicose em níveis adequados.
Diabetes tipo 2
O diabetes tipo 2 acontece quando o corpo até produz insulina, mas não consegue aproveitá-la de forma adequada. É o tipo mais comum: cerca de 90% das pessoas com diabetes no Brasil têm essa forma da doença.
Entre os fatores mais associados ao tipo 2 estão sobrepeso, sedentarismo, triglicerídeos elevados, hipertensão e hábitos alimentares inadequados. Por isso, cuidar da obesidade e da alimentação faz parte do tratamento.
Os sintomas costumam ser leves e podem demorar anos para serem percebidos, o que faz muitos diagnósticos acontecerem quando já existem complicações. Exames de rotina ajudam a identificar o problema mais cedo.
Diabetes gestacional
As alterações hormonais da gravidez podem dificultar a ação da insulina e elevar a glicose no sangue. Por isso, o rastreamento faz parte do pré-natal e não depende de sintomas.
Esse tipo afeta entre 2% e 4% das gestantes e aumenta o risco de a mãe e o bebê desenvolverem diabetes no futuro. Mulheres com a condição também têm mais risco de complicações na gestação e no parto.
Com acompanhamento adequado, ajustes na alimentação e, quando necessário, medicação, a glicemia pode ser controlada ao longo de toda a gravidez.
Pré-diabetes
A pré-diabetes é o estágio em que a glicose já está acima do normal, mas ainda não atinge os valores de diabetes. Em jejum, isso corresponde à faixa de 100 a 125 mg/dL.
É o único estágio que ainda pode ser revertido, evitando a evolução para o diabetes tipo 2 e o aparecimento de complicações. Ainda assim, cerca de metade das pessoas com esse diagnóstico acaba desenvolvendo a doença.
Mudanças na alimentação e prática regular de atividade física são os principais fatores de sucesso nessa fase. Reduzir o consumo de açúcar e sal é um bom ponto de partida.
LADA (diabetes latente autoimune do adulto)
O LADA é uma forma autoimune de diabetes que se desenvolve lentamente na vida adulta. Como a evolução é gradual, ele costuma ser confundido com o tipo 2 no início.
Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o diagnóstico é considerado em adultos com anticorpos positivos que não precisam de insulina nos primeiros seis meses após o diagnóstico. Na prática, trata-se de uma forma de diabetes tipo 1 de progressão lenta.
A suspeita costuma surgir quando a pessoa não tem sobrepeso, tem histórico de doenças autoimunes na família ou passa a precisar de insulina pouco tempo depois do diagnóstico.
Sintomas de diabetes
Os sintomas de diabetes tipo 1 e 2 são similares. No entanto, é bom saber diferenciá-los e buscar auxílio médico quanto antes. No tipo 1, os sintomas mais comuns são:
- fome frequente;
- sede constante;
- vontade de urinar várias vezes ao dia;
- perda de peso;
- fraqueza e fadiga;
- mudanças de humor;
- náusea e vômito.
No tipo 2, costumam aparecer:
- fome frequente;
- sede constante;
- vontade de urinar várias vezes;
- formigamento nos pés e nas mãos;
- infecções frequentes na bexiga, nos rins e na pele;
- feridas que demoram a cicatrizar;
- visão embaçada.
A diferença principal está no ritmo. No tipo 1, os sintomas surgem de forma rápida e intensa. No tipo 2, aparecem aos poucos e podem passar despercebidos por anos. Se você notar esses sinais, procure um serviço de saúde para avaliação.
Fatores de risco
Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver diabetes, principalmente o tipo 2. Eles envolvem histórico familiar, condições de saúde já existentes e hábitos do dia a dia. Segundo o Ministério da Saúde, os principais fatores de risco são:
- pais, irmãos ou parentes próximos com diabetes;
- sobrepeso e obesidade, principalmente com gordura concentrada na cintura;
- pressão alta;
- diagnóstico de pré-diabetes;
- colesterol alto ou triglicérides elevados;
- doenças renais crônicas;
- histórico de diabetes gestacional;
- ter dado à luz bebê com mais de 4 kg;
- síndrome dos ovários policísticos;
- apneia do sono;
- uso de medicamentos da classe dos glicocorticoides (corticoides);
- diagnóstico de transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa vai desenvolver a doença. Significa que o acompanhamento e os exames de rotina merecem mais atenção.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico de diabetes é feito por exames de sangue solicitados por um profissional de saúde. Prestar atenção aos sintomas ajuda, mas apenas os exames confirmam a alteração da glicose. Os exames usados são:
- Glicemia de jejum – mede a glicose no sangue após pelo menos 8 horas sem comer.
- Hemoglobina glicada (HbA1c) – mostra a média da glicose dos últimos 2 a 3 meses.
- Teste de tolerância à glicose (TTGO) – mede a glicose 1 hora ou 2 horas após a ingestão de 75 g de glicose.
Um ponto importante: se apenas um exame vier alterado, ele precisa ser repetido para confirmação. Um resultado isolado fora da faixa não fecha diagnóstico sozinho.
Complicações do diabetes
Quando a glicose fica elevada por muito tempo, ela danifica vasos sanguíneos e nervos. Por isso, o diabetes sem controle adequado pode levar a complicações em vários órgãos. As mais comuns são:
- Neuropatia diabética – lesão nos nervos periféricos, que causa dor, formigamento ou perda de sensibilidade.
- Doenças cardiovasculares – o diabetes aumenta o risco de infarto e AVC, além de prejudicar a circulação nas pernas e nos pés.
- Pé diabético – feridas de difícil cicatrização nos pés, que facilitam infecções e podem levar à amputação.
- Doenças renais – a sobrecarga dos rins pode evoluir para insuficiência renal crônica.
- Lesões oculares – retinopatia, catarata e glaucoma são mais frequentes em pessoas com diabetes e podem comprometer a visão.
Além disso, também pode afetar a saúde sexual, a sensibilidade da pele e o bem-estar emocional, com quadros de ansiedade, alterações de humor e depressão.
Como é o tratamento?
Todos os tipos de diabetes têm tratamento, e o objetivo é sempre o mesmo: manter a glicose em níveis seguros para evitar complicações. O plano varia conforme o tipo, a idade e as condições de saúde de cada pessoa.
Tratamento do diabetes tipo 1
Quem tem diabetes tipo 1 precisa usar insulina diariamente, já que o corpo deixou de produzi-la. A aplicação é feita na camada de gordura abaixo da pele, em locais como barriga, coxa, braço e glúteo.
O acompanhamento da glicose no dia a dia é parte essencial do tratamento e costuma ser feito com um aparelho chamado glicosímetro. Em alguns casos, o médico também indica medicamentos orais.
Alimentação equilibrada, atividade física e orientação de uma equipe de saúde completam o cuidado.
Tratamento do diabetes tipo 2
No tipo 2, o tratamento começa pelas mudanças no estilo de vida: alimentação com mais alimentos in natura, prática regular de atividade física e controle do peso.
Quando isso não é suficiente, entram os medicamentos. A metformina costuma ser a primeira opção, e outras classes podem ser indicadas conforme o caso, como sulfonilureias, glinidas e inibidores da alfaglicosidase.
Medicamentos mais recentes, como os análogos de GLP-1, também vêm sendo usados no manejo do diabetes e da obesidade. Entenda melhor em nosso conteúdo sobre Ozempic, Wegovy e Mounjaro.
Parte das pessoas com tipo 2 também passa a usar insulina em algum momento, o que não significa que o tratamento falhou. É apenas um ajuste na estratégia.
Como o tipo 2 costuma vir acompanhado de obesidade, hipertensão e alterações no colesterol, o cuidado precisa ser integrado e envolver diferentes profissionais.
É possível prevenir o diabetes?
O diabetes tipo 2 pode ser prevenido ou adiado com mudanças no estilo de vida. Já o tipo 1 não tem forma conhecida de prevenção, porque decorre de um processo autoimune cujas causas ainda não são totalmente compreendidas.
A evidência sobre prevenção do tipo 2 é consistente. No Diabetes Prevention Program, estudo com mais de 3 mil participantes em risco, um programa de mudança de hábitos reduziu em 58% o surgimento da doença, resultado superior ao obtido com medicação. Na prática, os pontos que mais fazem diferença são:
- manter o peso em uma faixa saudável;
- praticar pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana;
- reduzir o consumo de açúcar e sal, além de gorduras saturadas;
- evitar o tabaco;
- fazer exames de rotina, principalmente com fatores de risco presentes.
O diabetes exige atenção, mas não precisa ser um obstáculo. Entender os sinais, fazer exames de rotina e manter hábitos equilibrados são os melhores caminhos para prevenir a doença ou conviver bem com ela. Diante de qualquer sintoma, procure um profissional de saúde.
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Perguntas frequentes sobre diabetes
O diabetes não tem cura, mas tem tratamento e controle eficazes. No diabetes tipo 2, é possível alcançar a remissão, situação em que a glicose volta a níveis normais e a hemoglobina glicada fica abaixo de 6,5% por pelo menos três meses sem uso de medicação.
O diabetes gestacional costuma desaparecer após o parto, embora aumente o risco de tipo 2 no futuro. Já o tipo 1 exige uso de insulina por toda a vida. Mesmo em remissão, o acompanhamento continua necessário, porque a tendência à doença permanece.
A glicemia normal em jejum é de até 99 mg/dL. Valores entre 100 e 125 mg/dL indicam pré-diabetes, e resultados iguais ou acima de 126 mg/dL sugerem diabetes, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes.
Abaixo de 70 mg/dL, a glicemia é considerada baixa, quadro conhecido como hipoglicemia. Um exame isolado alterado precisa ser repetido para confirmação.
Os primeiros sintomas do diabetes são sede excessiva, fome frequente e vontade de urinar várias vezes ao dia. Cansaço, visão embaçada e perda de peso sem explicação também aparecem com frequência.
No diabetes tipo 1, esses sinais surgem de forma rápida e intensa. No tipo 2, costumam ser leves e podem demorar anos para serem notados, o que reforça a importância dos exames de rotina.
O diabetes tem componente genético, mas o histórico familiar não determina o diagnóstico. No diabetes tipo 2, ter pais ou irmãos com a doença é um dos principais fatores de risco, e a genética se soma aos hábitos de vida.
No diabetes tipo 1 existe predisposição genética, embora boa parte dos casos ocorra em pessoas sem histórico familiar. O que desencadeia esse tipo é um processo autoimune.
Quem tem casos na família pode reduzir bastante o risco do tipo 2 mantendo o peso sob controle, alimentação equilibrada e atividade física.
Existem três tipos principais de diabetes: tipo 1, tipo 2 e gestacional. Há ainda formas menos frequentes, como o LADA, de origem autoimune e progressão lenta na vida adulta, e o MODY, causado pela alteração de um único gene.
A pré-diabetes não é um tipo, e sim um estágio anterior ao diabetes tipo 2.
Termos como “diabetes tipo 3” e “diabetes tipo 4” circulam na internet, mas não fazem parte da classificação oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes.
A glicose é o açúcar que circula no sangue e fornece energia para as células. A glicemia é a medida da quantidade de glicose presente nesse sangue, expressa em miligramas por decilitro (mg/dL).
Na prática: glicose é a substância, glicemia é o resultado do exame que mostra quanto dela existe no organismo naquele momento.
Polidipsia é o termo médico para sede excessiva e persistente, que não passa mesmo depois de beber água. É um dos sintomas clássicos do diabetes, causado pela tentativa do corpo de eliminar o excesso de glicose pela urina.
A polidipsia também pode estar ligada a outras condições. Quando aparece junto com vontade frequente de urinar e cansaço, vale procurar um profissional de saúde.
Sim, quem tem diabetes pode comer pitaya, desde que em porções controladas. Um estudo brasileiro encontrou índice glicêmico baixo na fruta, mas observou que a carga glicêmica sobe bastante em porções grandes.
Na prática, a orientação é consumir a fruta inteira e fresca, em quantidade equivalente a uma unidade, e evitar sucos coados, que removem as fibras.
Como a resposta à glicose varia de pessoa para pessoa, o ideal é ajustar a porção com orientação de um nutricionista ou do profissional que acompanha o seu caso.
O soro glicosado é uma solução de glicose diluída em água, administrada por via intravenosa. Segundo as bulas aprovadas pela Anvisa, ele é indicado como fonte de água e calorias, em casos de desidratação, reposição calórica, hipoglicemia e como veículo para diluir medicamentos.
As concentrações mais usadas são 5% e 10%. As mais altas ficam restritas a situações específicas, como hipoglicemia grave e nutrição parenteral.
O uso em pessoas com diabetes é possível, mas depende de avaliação e monitoramento clínico. A escolha entre soro glicosado e soro fisiológico é sempre uma decisão médica.
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Histórico de atualizações
- 09/10/2026 14:22Versão atual
- 09/10/2026 14:22Revisão
- 07/10/2026 12:55Revisão
- 06/10/2026 15:17Revisão
- 06/10/2026 15:15Revisão
Referências
- IDF Diabetes Atlas – Dados do Brasil
- Diretriz SBD – Classificação do Diabetes
- Diretriz SBD – Diagnóstico de Diabetes Mellitus
- OMS – Diabetes (Fact Sheet)
- Ministério da Saúde – Tratamento do Diabetes
- Ministério da Saúde – Diabetes
- Afya – Casos de diabetes no Brasil aumentam 26,61% em dez anos
- Ministério da Saúde – Complicações do Diabetes
- PMC – Artigo sobre diabetes (PMC2560181)
- Medcode – Como diagnosticar diferentes tipos de diabetes em jovens (SBD 2019/2020)
- Diretriz SBD – Manejo do Diabetes Mellitus Tipo 2
- SciELO Portugal – Artigo (S1646-107X2018000100035)
- Consultar Remédios – Bula: Solução de Glicose 5% e 10% (Farmarin)