As doenças crônicas são resultado de causas múltiplas, que vão de fatores genéticos a comportamentais. Em geral, têm longa duração, apresentam períodos de melhora ao longo do tempo e, mas não têm cura.
Para ajudar a compreender a incidência das doenças crônicas, seus impactos na saúde da população brasileira e, principalmente, subsidiar ações de prevenção e cuidado, o Vigitel (Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) reúne informações importantes.
Continue a leitura e confira!
O que são doenças crônicas e por que elas preocupam?
As doenças crônicas são condições de saúde não transmissíveis que se desenvolvem de forma gradual e têm longa duração. Em geral, não têm cura, mas podem ser controladas por meio de acompanhamento médico adequado e mudanças no estilo de vida.
Principais características das doenças crônicas
- Exigem monitoramento contínuo
- Não têm cura
- Não são transmissíveis
- Podem ser prevenidas ou controladas com medicações específicas e com a adoção de hábitos saudáveis, como evitar o tabagismo, a alimentação inadequada e o sedentarismo, entre outras.
Doenças crônicas mais comuns
Entre as doenças crônicas mais comuns podemos citar:
- Cardiovasculares (hipertensão, infarto e AVC)
- Respiratórias (asma e bronquite)
- Diabetes Mellitus
- Obesidade e sobrepeso
- Depressão e distúrbios do sono
- Osteomusculares (como artrite e artrose)
Embora sejam controláveis, essas doenças interferem na qualidade de vida das pessoas, afetando não apenas as capacidades físicas, mas também as atividades de trabalho, de estudo e a autoestima.
Além disso, são consideradas um problema de saúde pública, pois geram grande demanda nos sistemas de atendimento e apresentam altas taxas de mortalidade. Inclusive, de acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2024, as doenças crônicas causaram mais de 300 mil mortes no Brasil.
O que é o Vigitel e qual o papel da pesquisa no Brasil?
O Vigitel é o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, coordenado pelo Ministério da Saúde. A pesquisa monitora a situação de saúde da população adulta brasileira a partir da distribuição dos principais fatores de risco e de proteção relacionados às doenças crônicas não transmissíveis.
Implantado em 2006, o Vigitel fornece informações fundamentais para o planejamento de políticas públicas voltadas à promoção da saúde e à prevenção de doenças. A partir de 2023, a pesquisa passou a incluir também entrevistas realizadas por telefones móveis, ampliando a representatividade da amostra.
Para 2025, foram considerados dados coletados entre 2006 e 2024, com entrevistas anuais realizadas com adultos residentes nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.
O que o Vigitel 2025 mostra sobre a saúde do brasileiro na atualidade?
O relatório do Vigitel 2025 traz um panorama atualizado sobre a evolução de doenças crônicas e fatores de risco que impactam diretamente a saúde da população brasileira, como hipertensão, diabetes, obesidade, depressão e distúrbios do sono. Abaixo, confira alguns pontos importantes dos resultados da pesquisa.
Hipertensão arterial e diabetes
Segundo o Vigitel, a prevalência de hipertensão arterial cresceu 31% entre 2006 e 2024. No mesmo período, o número de adultos com diabetes aumentou 135%, passando de 5,5% para 12,9% da população adulta.
Esses dados chamam atenção para doenças que muitas vezes não apresentam sintomas nas fases iniciais, reforçando a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento regular e do acesso contínuo aos serviços de saúde, tanto para controlar a progressão quanto para prevenir novos casos.
Obesidade e excesso de peso
A pesquisa também mostrou que a obesidade aumentou 118% entre 2006 e 2024 na população adulta brasileira. Já o excesso de peso cresceu 47% no mesmo período.
Esses números indicam que fatores relacionados à alimentação e ao estilo de vida exercem papel central no avanço das doenças crônicas.
Vale lembrar que a obesidade e o excesso de peso aumentam significativamente o risco de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, reforçando a importância da prevenção desde cedo.
Distúrbios do sono
Desde 2024, o Vigitel passou a monitorar o sono da população adulta. Os dados mostram que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e que 31,7% apresentam sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres.
Além de impactos na vida social e profissional, os distúrbios do sono estão associados a maior risco de doenças crônicas e à piora da saúde mental.
Depressão
O Vigitel acompanha o diagnóstico médico autorreferido de depressão e aponta maior prevalência entre mulheres. Os dados indicam que a depressão aparece com frequência associada a fatores como sono inadequado, sedentarismo e presença de outras doenças crônicas, evidenciando a relação direta entre saúde mental e saúde física.
Hábitos saudáveis fazem a diferença
Os dados da pesquisa mostram que o sedentarismo ainda é um desafio. A prática de atividade física no tempo livre aumentou e alcançou 42,3% da população adulta, mas a atividade física no deslocamento caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024.
A alimentação saudável também não apresentou avanços relevantes. O consumo regular de frutas e hortaliças permanece em torno de 31% da população adulta. Além disso, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas, alimentação não saudável e comportamento sedentário seguem como principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas.
Apesar disso, esses hábitos são modificáveis, e pequenas mudanças no dia a dia já podem gerar impactos positivos na saúde física e mental.
Nesse contexto, o fortalecimento da atenção primária e o acesso à informação de qualidade tornam-se cada vez mais importantes. Aqui no Portal De Bem Com a Vida, você encontra conteúdos confiáveis sobre saúde, prevenção e qualidade de vida. Acesse nosso blog e compartilhe com quem você conhece!