MDS Cast: Bem-Estar Emocional na Era Digital (EP 19)

13 de fevereiro de 2026

mds cast uso excessivo de telas

Vivemos cada vez mais conectados. Celular, computador e outras telas fazem parte da rotina de trabalho, do lazer e até dos momentos de descanso. Esse cenário trouxe praticidade, mas também levantou uma questão importante: como o uso excessivo de telas impacta a saúde mental e o bem-estar? 

Esse é o tema do episódio 19 do MDS Cast, que propõe uma reflexão sobre os efeitos da hiperconexão no sono, na concentração, nas relações sociais e no equilíbrio emocional.  

Participam do episódio Talita Saud, enfermeira de Gestão de Saúde na MDS Brasil, Gustavo Freire, psicólogo de Gestão de Saúde, Márcia Sentelhas, assistente social de Gestão de Saúde, e a convidada Dra. Danielle Admoni, médica psiquiatra e parceira da Juntos Educação Parental. 

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A seguir, reunimos alguns dos principais tópicos abordados no episódio para aprofundar a reflexão sobre o uso excessivo de telas e seus impactos no dia a dia. 

O que é uso excessivo de telas e por que isso virou um problema? 

O uso excessivo de telas acontece quando o tempo dedicado a celulares, computadores e outros dispositivos começa a interferir no sono, na saúde mental, no foco e nas relações do dia a dia. Mais do que a quantidade de horas, o principal sinal está nos impactos que esse uso gera no bem-estar. 

No Brasil, esse tema chama atenção porque estamos entre os países mais conectados do mundo. Segundo o estudo Consumer Pulse, da Bain & Company, o brasileiro passa, em média, 9h13 por dia conectado à internet, enquanto a média global é de 6h38. 

Apesar disso, 28% dos brasileiros afirmam querer reduzir o tempo dedicado ao mundo digital, apontando distração constante, efeitos negativos na saúde e sensação de culpa como principais motivos para essa mudança. 

O avanço do trabalho remoto, das redes sociais e da vida digital fez com que o tempo de tela ocupasse praticamente todos os momentos do dia, inclusive o tempo livre.  

De acordo com o mesmo estudo da Bain, as atividades digitais já são a segunda principal ocupação no tempo livre dos brasileiros, ficando atrás apenas das tarefas domésticas. Esse cenário ajuda a explicar por que o desejo de reduzir o uso das telas aparece como prioridade, inclusive à frente de hábitos como alimentação ou atividade física. 

Esse impacto também começa cedo. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Datafolha, mostra que 78% das crianças de 0 a 3 anos e 94% das crianças de 4 a 6 anos já estão expostas diariamente às telas.  

Esses dados reforçam a importância de observar limites desde a infância, considerando os efeitos no desenvolvimento emocional, na socialização e na formação de hábitos. 

Como o excesso de telas afeta a saúde? 

O excesso de telas pode afetar a saúde física e mental de forma gradual. O uso contínuo de celulares, computadores e outros dispositivos mantém o cérebro em alerta o tempo todo, dificultando o descanso. 

Esse estímulo constante favorece comportamentos automáticos, como checar o celular várias vezes ao dia ou passar mais tempo conectado do que o planejado. Com o tempo, isso pode gerar ansiedade, cansaço mental e dificuldade de concentração, impactando o desempenho no trabalho, nos estudos e na rotina. 

O sono também é prejudicado. O uso excessivo de telas, principalmente à noite, interfere na higiene do sono e dificulta o relaxamento. Dormir mal afeta o humor, o foco e a disposição ao longo do dia. 

No trabalho remoto, esses efeitos tendem a ser ainda mais intensos. A falta de limites entre vida pessoal e profissional aumenta o tempo de tela e contribui para a fadiga digital, marcada por sensação de esgotamento e sobrecarga mental

Por isso, fazer pausas no tempo de tela é essencial. Levantar, alongar, caminhar ou ficar alguns minutos longe dos dispositivos ajuda a reduzir o estresse, recuperar o foco e cuidar da saúde. O objetivo não é eliminar a tecnologia, mas usá-la com mais equilíbrio. 

Uso de telas na infância e adolescência 

Na infância e adolescência, o uso excessivo de telas merece ainda mais atenção. Essas fases são importantes para o desenvolvimento emocional e social, e o contato intenso com dispositivos pode interferir na forma como crianças e adolescentes se relacionam com outras pessoas. 

A exposição às telas começa cada vez mais cedo no Brasil, o que reforça a importância de estabelecer limites e acompanhar o uso. Além do tempo, é importante observar o tipo de conteúdo e incentivar interações fora do ambiente digital. 

Celulares e tablets costumam ser usados de forma individual, com menos convivência familiar. Isso pode reduzir momentos de troca, diálogo e socialização

Tempo de tela por idade: por que o impacto é diferente 

O tempo de tela por idade faz diferença porque crianças e adolescentes estão em fases distintas de desenvolvimento. Por isso, os efeitos do uso excessivo variam conforme a idade. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que crianças com menos de 2 anos não sejam expostas às telas. Entre 2 e 5 anos, o ideal é limitar o uso a até uma hora por dia, com a participação de adultos. Para crianças de 6 a 10 anos, a orientação é de até duas horas diárias. Já para adolescentes de 11 a 17 anos, até três horas por dia. 

Na prática, essas recomendações nem sempre são seguidas. Por isso, mais do que contar horas, é importante observar se o uso das telas está prejudicando o sono, a convivência, o aprendizado ou o bem-estar. 

Dependência digital, apostas online e riscos emocionais 

O uso da tecnologia deixa de ser recreativo quando começa a gerar perdas emocionais, financeiras e sociais.  

Esse risco fica ainda mais evidente no crescimento das apostas on-line, conhecidas como bets, que combinam estímulos digitais constantes, promessa de recompensa rápida e fácil acesso pelo celular. 

No Brasil, o volume de dinheiro envolvido ajuda a dimensionar o problema. Segundo dados do Banco Central, os brasileiros movimentaram cerca de R$ 20 bilhões por mês em apostas on-line ao longo de 2024, incluindo recursos de famílias de baixa renda. Esse cenário acende um alerta não apenas econômico, mas também de saúde mental. 

Estudos em saúde mostram que as apostas digitais ativam os mesmos circuitos cerebrais ligados à recompensa e à dopamina, mecanismo associado ao prazer imediato e ao comportamento impulsivo.  

De acordo com análises reunidas pela Revista Pesquisa FAPESP, esse padrão pode favorecer ansiedade, perda de controle, endividamento, sensação de culpa e, em casos mais graves, o desenvolvimento do transtorno do jogo, reconhecido pela medicina como um problema de saúde mental. 

Reconhecer quando o uso deixa de ser lazer e passa a causar sofrimento é um passo importante para a prevenção. Informação, limites claros e atenção aos sinais emocionais são fundamentais para reduzir riscos e promover um relacionamento mais saudável com o mundo digital. 

Como usar a tecnologia de forma mais consciente 

Usar a tecnologia de forma consciente não significa se desconectar totalmente, mas buscar equilíbrio, administrar melhor o tempo de uso e fazer escolhas mais saudáveis no dia a dia.  

Quando bem utilizada, a tecnologia pode ser uma aliada do bem-estar, e não uma fonte constante de cansaço ou ansiedade. 

  • Observe seu tempo de uso: acompanhe quanto tempo passa no celular e quais aplicativos mais consomem sua atenção. 
  • Defina horários para redes sociais e mensagens:  evite o acesso constante e estabeleça momentos específicos para checar notificações. 
  • Evite telas antes de dormir: reduza o uso de celulares, computadores e TVs pelo menos uma hora antes de deitar. 
  • Desative notificações desnecessárias: menos alertas significam menos interrupções e menos estímulos ao longo do dia. 
  • Faça pausas sem tela durante o dia: levante-se, alongue-se, respire ou descanse os olhos por alguns minutos regularmente. 
  • Separe trabalho e vida pessoal: estabeleça um horário para encerrar o expediente e evite mensagens de trabalho fora desse período. 
  • Priorize atividades offline no tempo livre: leitura, exercícios físicos e momentos de convivência ajudam a equilibrar o uso das telas. 
  • Use a tecnologia a seu favor: aplicativos de organização, meditação, controle de tempo de tela e a terapia on-line podem apoiar o cuidado com a saúde mental. 

O uso consciente começa com escolhas intencionais. Quando a tecnologia é usada com propósito, ela deixa de sobrecarregar e passa a contribuir para mais qualidade de vida e bem-estar. 

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Conteúdo produzido pela equipe de Gestão de Saúde da MDS Brasil

Nossa equipe editorial reúne médicos e profissionais de saúde de diversas áreas.

Responsável Técnico

Dr. Claudio Albuquerque

Diretor de Gestão de Saúde da MDS Brasil (CRM 188683)

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