Você sabia que saúde ambiental não se limita à preservação da natureza? Esse conceito vai muito além de conservar o planeta para as próximas gerações.
A saúde ambiental está diretamente ligada à qualidade da água que bebemos, do ar que respiramos, dos alimentos que consumimos e dos espaços onde vivemos. Por isso, cuidar do meio ambiente também é uma forma de cuidar da saúde das pessoas. Saiba mais abaixo!
O que é saúde ambiental?
A saúde ambiental se refere ao controle dos fatores físicos, químicos, biológicos e sociais do meio ambiente.
Ela é considerada um determinante direto da saúde humana, pois influencia a qualidade de vida, o surgimento de doenças e até os índices de mortalidade.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase 24% das mortes globais estão associadas a fatores ambientais. Além disso, ambientes mais saudáveis poderiam evitar quase um quarto da carga global de doenças.
Qualidade da água e impactos na saúde
A água é um dos elementos mais essenciais para a vida humana. Mesmo assim, o acesso à água segura ainda não é uma realidade para todas as pessoas.
De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) , no Brasil, 2,8 milhões de crianças não têm acesso adequado à água. No mundo, o problema atinge metade da população.
Esse cenário é preocupante, pois o contato com água de má qualidade pode causar desde alergias e problemas dermatológicos até doenças graves, como cólera, hepatite A, diarreia e infecções.
Quem faz a avaliação da qualidade da água e cuidados que todos podem tomar
A maior responsabilidade sobre o acesso à água limpa é dos órgãos ambientais e da vigilância sanitária. Ainda assim, alguns cuidados simples podem ajudar a reduzir riscos no dia a dia:
- Evite beber água da torneira. Caso seja necessário, ferva a água por pelo menos 5 minutos para ajudar a eliminar bactérias, vírus e parasitas.
- Guarde a água em recipientes limpos e evite a exposição direta ao sol, para prevenir a proliferação de microrganismos.
- Tenha atenção também aos recipientes de uso frequente, como garrafas de academia, que podem passar longos períodos sem higienização adequada.
- Caso tenha acesso, higienize a caixa d’água da casa a cada seis meses.
- Em viagens, prefira água engarrafada e lacrada, especialmente em áreas rurais.
Qualidade do ar e saúde ambiental
Tão essencial quanto a água, o ar também é um dos principais fatores ambientais relacionados à saúde. A má qualidade do ar pode afetar não apenas os pulmões, mas também o coração, o cérebro, a pele e o metabolismo.
Dados da Organização das Nações Unidas (OMS) mostram que 99% da população mundial vive em locais com qualidade do ar fora do padrão recomendado. Para proteger a saúde respiratória, algumas práticas podem ser adotadas dentro e fora de casa:
- Em casa, o ideal é fechar portas e janelas nos momentos de maior concentração de poluentes atmosféricos e, se possível, utilizar purificadores de ar.
- Fora de casa, use máscaras em ambientes muito poluídos, evite o contato com fumaça de cigarro e mantenha hábitos saudáveis.
- Também é importante evitar atividades físicas ao ar livre em locais ou períodos com alta poluição.
Exposição a contaminantes e substâncias químicas
Contaminantes ambientais são substâncias químicas, físicas ou biológicas introduzidas no meio ambiente em concentrações que superam os níveis naturais, causando danos aos ecossistemas e à saúde humana.
Esses desses danos podem ser cumulativos e de longo prazo, pois muitas dessas substâncias demoram a se degradar e acumulam-se nos organismos. Os contaminantes ambientais estão divididos em:
- Metais Pesados – chumbo, mercúrio, cádmio e arsênio. Frequentemente encontrados em resíduos industriais e eletrônicos.
- Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs) – benzeno, formaldeído e solventes presentes em tintas, colas e produtos de limpeza.
- Agentes Radioativos – isótopos usados em medicina e energia nuclear, além do gás radônio (natural).
- Contaminantes Biológicos – fungos, bactérias, vírus e príons, comuns em ambientes de saúde e saneamento.
- Particulados (Poeiras) – sílica, amianto (asbesto) e poeiras metálicas que afetam o sistema respiratório.
Algumas profissões, como profissionais da saúde que atuam em radiologia e oncologia, têm exposição inerente a esses agentes. Nesses casos, existem normas técnicas que estabelecem diretrizes para a proteção da saúde dos trabalhadores.
A população geral também pode se proteger mantendo-se informada sobre a procedência do que consome, realizando o descarte correto de resíduos perigosos, como pilhas, lâmpadas e remédios, e exigindo o cumprimento das normas de vigilância sanitária e ambiental em sua comunidade.
Contato com animais silvestres e riscos à saúde
Os animais silvestres são importantes para o equilíbrio da natureza e para a saúde ambiental. Eles ajudam a manter a biodiversidade e fazem parte de um sistema que também influencia a saúde das pessoas.
No entanto, o contato próximo entre seres humanos e animais silvestres pode trazer riscos, principalmente quando acontece por meio do tráfico de animais, da domesticação irregular ou da ocupação de áreas naturais. Essa aproximação pode facilitar a transmissão de doenças causadas por vírus, bactérias, protozoários, vermes e fungos.
Um levantamento coordenado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), com financiamento do CNPq, mapeou 1.025 microrganismos em 343 espécies de mamíferos silvestres no Brasil. As informações fazem parte do relatório “Panorama da Saúde Silvestre”, considerado o maior levantamento sobre saúde de animais silvestres no país.
Entre os microrganismos identificados, 162 patógenos têm potencial de transmissão para seres humanos.
Esses dados mostram como a saúde humana, a saúde dos animais e o meio ambiente estão conectados. Quando há desmatamento e avanço sobre áreas naturais, o contato entre pessoas, animais silvestres e agentes infecciosos pode se tornar mais frequente.
Por isso, cuidar do meio ambiente também é uma forma de prevenção. Proteger os ecossistemas ajuda a preservar a biodiversidade e contribui para a saúde e o bem-estar de todos.
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