Em casos de acidentes com crianças em casa, agir com rapidez pode ajudar a evitar o agravamento da situação e reduzir riscos até a chegada de atendimento especializado.
Em situações graves, como paradas cardiorrespiratórias, choques elétricos, quedas de altura, hemorragias e ingestão de produtos químicos, por exemplo, a recomendação é acionar o SAMU (192) imediatamente.
Continue a leitura para entender cuidados importantes em diferentes situações de emergência infantil!
Índice
O que são primeiros socorros e por que são importantes para crianças
Primeiros socorros são os primeiros cuidados prestados quando alguém se machuca ou passa mal até a chegada de atendimento profissional.
Como as crianças costumam explorar mais os ambientes e ainda estão em fase de desenvolvimento, acidentes podem acontecer com maior frequência.
Por isso, conhecer orientações básicas de primeiros socorros infantil pode ajudar adultos e responsáveis a agirem de forma mais segura enquanto buscam assistência médica.
Por que o período de férias exige mais atenção?
Durante as férias, as crianças passam mais tempo brincando e realizando atividades dentro e fora de casa, o que pode aumentar o risco de acidentes domésticos e urbanos.
De acordo com o Ministério da Saúde, quedas, sufocamentos, queimaduras, afogamentos e intoxicações acidentais estão entre as principais causas de acidentes com crianças no Brasil na faixa etária entre 0 e 14 anos.
Por isso, além da supervisão constante, é importante que pais, familiares e cuidadores saibam como agir diante de casos de emergência com as crianças.
Situações comuns que exigem primeiros socorros em crianças
Casos de queimaduras, cortes, engasgos, picadas de insetos, intoxicação e quedas estão entre os acidentes mais comuns na infância e exigem atenção rápida.
Nessas situações, o ideal é manter a calma, prestar os primeiros cuidados e procurar orientação médica quando necessário.
Queimaduras com líquidos quentes ou objetos
As queimaduras térmicas podem ser provocadas por fogo, líquidos ferventes, vapores ou objetos quentes e exigem cuidados imediatos.
Uma das primeiras medidas recomendadas é colocar a área atingida sob água corrente fria, com jato suave, por cerca de dez minutos. Se houver sujeira no local, a orientação é manter a queimadura coberta com pano limpo e úmido.
Outros cuidados importantes:
- evitar tocar diretamente a queimadura;
- não furar bolhas;
- não tentar retirar tecidos grudados na pele;
- não remover corpos estranhos ou resíduos do local queimado;
- não aplicar manteiga, pó de café, creme dental ou outras substâncias sem orientação profissional.
Em casos mais graves ou extensos, é fundamental procurar atendimento médico.
Cortes, arranhões e pequenos ferimentos
Embora pequenas lesões na pele, como cortes, arranhões e ferimentos, costumem ser comuns na rotina das crianças, é importante saber como aplicar os primeiros socorros para estancar possíveis sangramentos, amenizar a dor e evitar infecções. Veja alguns cuidados:
- lavar a região com água e sabão;
- proteger o local com gaze ou pano limpo;
- evitar tocar diretamente no ferimento;
- não utilizar algodão ou lenços de papel no curativo.
Se o ferimento for profundo, apresentar sangramento intenso ou tiver sido causado por objetos enferrujados ou contaminados, é importante buscar atendimento médico.
Engasgos e ingestão de objetos
Já em casos de obstrução total, quando a criança não consegue respirar ou emitir sons, técnicas de desengasgo podem ser necessárias. Essas manobras devem seguir orientações adequadas de primeiros socorros e, sempre que possível, ser realizadas por pessoas capacitadas.
Ainda assim, conhecer os procedimentos básicos pode ajudar em emergências até a chegada do atendimento especializado.
Em crianças maiores de 1 ano, a orientação mais recente da American Heart Association (AHA) recomenda alternar cinco pancadas firmes nas costas com cinco compressões abdominais (manobra de Heimlich) até que o objeto seja expelido ou a criança perca a consciência.
Já em bebês menores de 1 ano, o procedimento indicado é alternar cinco pancadas nas costas com cinco compressões torácicas no centro do peito, sempre com o bebê inclinado e com a cabeça mais baixa que o corpo.
Atenção:
- Compressões abdominais não devem ser realizadas em bebês devido ao risco de lesões internas.
- É importante não colocar os dedos na boca da criança para tentar retirar o objeto, exceto quando ele estiver visível.
- Se a criança perder a consciência, não conseguir respirar ou o objeto não for expelido, procure atendimento imediatamente e ligue para o SAMU (192).
- Já no caso da ingestão de objetos estranhos, como moedas e baterias, a recomendação é buscar avaliação médica o mais rápido possível.
- Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), muitos corpos estranhos podem ser eliminados espontaneamente, mas cada caso precisa ser avaliado por um profissional de saúde, principalmente quando há risco de intoxicação ou lesões internas.
Picadas de insetos
Picadas de insetos costumam causar dor, coceira e desconforto nas crianças.
Em situações leves, algumas medidas simples podem ajudar, como higienizar o local e aplicar compressas frias para aliviar os sintomas. No caso de ferrões aparentes, a remoção deve ser feita com cuidado.
Já crianças alérgicas podem apresentar sintomas mais graves, como inchaço intenso, dificuldade respiratória, bolhas e mal-estar. Além disso, a picada de animais peçonhentos tem cuidados específicos.
Nesses casos, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
Quedas e suspeita de fraturas
Correr, pular, rolar, jogar… Atividades típicas de criança também envolvem riscos de quedas e ferimentos nos ossos e articulações, como:
- Luxações – deslocamento de um osso da articulação.
- Entorse – lesão da articulação, com alongamento, rotura dos ligamentos e estruturas que sustentam a articulação.
- Fratura – quebra ou ruptura do osso causada por trauma. Podem ser simples ou expostas (quando a pele é rompida).
Os principais sinais de fratura são:
- dor local intensa;
- deformação ou inchaço;
- incapacidade funcional;
- mobilidade anormal;
- encurtamento de membro.
Em todos os casos, a indicação é imobilizar o local e aplicar gelo enquanto busca os serviços de saúde e nunca tentar movimentar o membro ou colocar o osso no lugar.
Intoxicação infantil
Produtos de limpeza, medicamentos, plantas tóxicas e alimentos contaminados podem causar intoxicação infantil quando ingeridos, inalados ou até mesmo manipulados pelas crianças. Os principais sinais de intoxicação são:
- irritação nos olhos, garganta e nariz;
- salivação excessiva;
- vômitos;
- diarreia;
- tontura;
- sonolência;
- convulsões.
Nesses casos, não é recomendado provocar vômito nem oferecer medicamentos sem orientação profissional. O ideal é identificar o possível agente causador e entrar em contato com o Centro de Atendimento Toxicológico: 0800 283 9904 (disponível 24 horas).
Dicas para prevenir acidentes domésticos com crianças
A prevenção ainda é a melhor forma de reduzir acidentes domésticos com crianças. Algumas medidas podem ajudar a tornar a casa mais segura:
- nunca deixar crianças sozinhas sem supervisão;
- instalar telas, portões e travas de segurança;
- manter produtos químicos e medicamentos fora do alcance;
- utilizar protetores de tomada;
- manter cabos de panelas voltados para dentro do fogão;
- guardar objetos cortantes em locais altos e seguros;
- supervisionar brincadeiras em áreas externas;
- verificar se os brinquedos são adequados para a faixa etária da criança.
Equipamentos de proteção, como capacetes, joelheiras e cotoveleiras, também ajudam a reduzir riscos durante atividades recreativas.
O que deve ter em um kit de primeiros socorros para crianças
Além das medidas de prevenção, manter um kit de primeiros socorros em casa pode ajudar em situações emergenciais. O ideal é deixá-lo em local acessível para adultos e fora do alcance das crianças. Alguns itens que costumam fazer parte do kit incluem:
- gaze estéril;
- ataduras;
- bandagens;
- esparadrapo;
- luvas descartáveis;
- termômetro;
- soro fisiológico;
- sabonete líquido;
- compressas limpas;
- tesoura sem ponta.
Medicamentos só devem ser utilizados com orientação profissional.
Agora que você já conhece algumas formas de agir em situações de emergência infantil, vale lembrar que a prevenção continua sendo a melhor forma de proteger os pequenos no dia a dia.
Para saber mais sobre o tema, confira nosso artigo sobre prevenção de acidentes na infância!