O glaucoma é uma doença causada geralmente pelo aumento da pressão intraocular (PIO). Isto é, quando a pressão dentro do olho se eleva, pode danificar o nervo ótico, comprometer a transmissão dos sinais visuais para o cérebro e até causar cegueira definitiva.
Hoje, estima-se que o glaucoma afete 1,7 milhão de pessoas no Brasil, ficando apenas atrás da catarata como principal causa de cegueira. Embora não tenha cura, é fundamental realizar o diagnóstico precocemente. Com tratamento adequado, é possível controlá-lo.
Causas e fatores de risco do glaucoma
Embora a causa mais comum do glaucoma seja o aumento da pressão intraocular, há outros fatores de risco: idade acima de 40 anos, pessoas com alto grau de miopia e diabéticos.
É importante saber também que o glaucoma é hereditário. A presença de glaucoma na família aumenta de forma considerável as chances de alguém desenvolver a doença.
Principais tipos de glaucoma
De forma geral, o glaucoma se divide em cinco tipos. São eles:
- Glaucoma primário de ângulo aberto: é o mais comum, causado por problemas no sistema de drenagem interno do olho que aumentam a pressão intraocular. Tem evolução lenta e dificilmente é notado pelo paciente.
- Glaucoma de ângulo fechado: é o segundo mais comum, causado pela obstrução da abertura do sistema de drenagem do olho. Também costuma ter evolução lenta e sem sintomas. Mas, quando essa obstrução acontece de forma rápida e muito extensa, é chamado de glaucoma agudo.
- Glaucoma congênito: por falha na formação no sistema de drenagem do olho, causa aumento da pressão intraocular logo ao nascimento ou nos primeiros meses de vida.
- Glaucoma secundário: é causado por outros fatores, como traumas, diabetes, uso de medicações, inflamações ou hipertensão arterial, que levam ao aumento da pressão intraocular.
Quais são os sintomas?
Na maioria das vezes, ele é assintomático: não causa dor, coceira, ardência nem incômodo nos olhos. Mesmo assim, danifica o nervo óptico, e os prejuízos à visão só aparecem com a doença em estágio avançado.
Já no caso do glaucoma agudo, como há aumento repentino da pressão intraocular, os sintomas são dor forte nos olhos e na cabeça, enjoo e visão turva.
O glaucoma congênito costuma dar sinais nas crianças, como um olho grande e sem brilho, lacrimejamento e alta sensibilidade à luz.
Se notar esses sintomas, busque um médico quanto antes.
Como é feito o diagnóstico do glaucoma?
O glaucoma pode ser diagnosticado por meio de exames oftalmológicos como:
- Tonometria: mede a pressão intraocular (entre a íris e a córnea), geralmente por meio de um sopro de ar (sem contato direto). É rápido e indolor.
- Fundo de olho: permite que a visualização da retina, do nervo óptico e dos vasos sanguíneos do olho por meio de um aparelho chamado oftalmoscópio. É necessário dilatar a pupila com um colírio.
- Campo visual: um exame rápido que avalia o campo visual, medindo a visão periférica e identificando falhas em diferentes áreas. Utiliza aparelhos para projetar luzes de diferentes intensidades e tamanhos em uma tela e registra as respostas do paciente sobre quando e onde essas luzes são percebidas, permitindo que o médico identifique áreas de perda visual, por exemplo.
Tratamentos disponíveis
Embora não tenha cura, o glaucoma tem tratamento e, seguindo as indicações e acompanhamento médicos, é possível levar uma vida normal com a doença. Entre os principais tratamentos para o glaucoma podemos citar:
- Colírios: feitos à base de betabloquadores que atuam na redução da pressão intraocular e podem ser usados de forma contínua.
- Medicamentos: são utilizados de forma emergencial, a curto prazo, geralmente quando o glaucoma é causado por outra doença, como a diabetes.
- Procedimentos a laser: opção não invasiva que utiliza baixa energia para atuar no sistema de drenagem do olho e reduzir a pressão intraocular.
- Cirurgia de glaucoma: procedimento pouco invasivo que cria uma abertura na parede do olho para que o humor aquoso drene e haja redução na pressão.
Como prevenir o glaucoma?
Embora não seja possível prevenir o glaucoma, existem muitas formas de diagnosticá-la precocemente e evitar sequelas na visão, inclusive a cegueira.
O ideal é manter o acompanhamento com o oftalmologista por toda a vida e adotar hábitos saudáveis no dia a dia (evitar o fumo e praticar atividades físicas). Isso contribui para o controle doenças como diabetes e hipertensão, que podem agravar o quadro do glaucoma.
Conheça a Semana Mundial do Glaucoma
A Semana Mundial do Glaucoma é uma iniciativa global organizada pela World Glaucoma Association que, desde 2008, tem o objetivo de reunir comunidades no mundo todo para lutar juntas contra a cegueira causada pela doença.
Todos são convidados a se conscientizar e compartilhar formas de prevenção: pacientes, profissionais e autoridades de saúde e o público em geral. Este ano, acontece de 8 a 14 de março.
Perguntas frequentes
Glaucoma é grave?
Por não demonstrar sintomas e poder causar danos irreversíveis como a cegueira, o glaucoma é considerado uma doença grave. No entanto, com diagnóstico precoce e tratamento contínuo, é possível estabilizar a doença.
Glaucoma tem cura?
O glaucoma não tem cura. Porém, como vimos acima, há possibilidades de tratamento para impedir a evolução dos sintomas.
Quais alimentos devem ser evitados por quem tem glaucoma?
De forma geral, a indicação para pacientes com glaucoma é evitar qualquer possibilidade de aumento da pressão arterial e, consequentemente, da pressão intraocular. No caso da alimentação, isso consiste em evitar alimentos ultraprocessados e ricos em sal, além de álcool e cafeína.
Glaucoma cega em quanto tempo?
Segundo estudos, os casos de glaucoma que evoluem para cegueira costumam levar de 7 a 15 anos para evoluir – sempre dependendo da gravidade de cada um.