Febre amarela: sintomas, transmissão e a importância da vacina 

24 de fevereiro de 2025

febre amarela

A febre amarela voltou a aparecer no noticiário e a preocupar autoridades de saúde. Diante do aumento de casos em algumas regiões do país, muita gente tem procurado entender melhor a doença: o que é, como ela se transmite, quais são os sintomas e, principalmente, quem precisa se vacinar.  

Reunimos aqui as informações essenciais para você se proteger e cuidar de quem está por perto. Continue a leitura e confira! 

O que é febre amarela? 

A febre amarela é uma doença infecciosa aguda causada por um vírus e transmitida pela picada de mosquitos infectados. Não há transmissão direta de uma pessoa para outra. 

O nome vem da icterícia, o tom amarelado que a pele e os olhos podem assumir nos casos mais graves, quando o fígado é afetado. A maioria das pessoas infectadas apresenta sintomas leves ou moderados, mas uma parcela pode evoluir para quadros sérios, o que reforça a importância da prevenção. 

Como ocorre a transmissão da febre amarela? 

A febre amarela tem dois ciclos de transmissão, ambos dependentes de mosquitos: 

  • Ciclo silvestre – ocorre em áreas de mata e zonas rurais, onde os vetores são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. É o ciclo responsável pelos casos registrados atualmente no Brasil. 
  • Ciclo urbano – tem como vetor o Aedes aegypti, o mesmo mosquito da dengue, da zika e da chikungunya. O Brasil não registra casos de febre amarela urbana desde 1942, mas a presença do Aedes aegypti nas cidades mantém o tema em vigilância. 
  • Um ponto importante: os macacos não transmitem a febre amarela para as pessoas. Assim como os seres humanos, eles também são vítimas do vírus. Quando um primata adoece em determinada região, isso funciona como um alerta de que o vírus está circulando ali, o que ajuda as autoridades a anteciparem ações de vacinação. Por isso, agredir ou matar macacos não protege ninguém e prejudica esse sistema natural de monitoramento. 

Febre amarela no Brasil: cenário atual 

O retorno da doença ao noticiário tem motivo. Segundo o painel do Ministério da Saúde, o Brasil confirmou 11 casos de febre amarela em humanos em 2026, com 6 óbitos. A grande maioria se concentra no estado de São Paulo, que sozinho responde por 10 casos e por todas as mortes registradas no país neste ano. 

Em São Paulo, os registros estão principalmente na região do Vale do Paraíba, em cidades como Lagoinha, Cunha e Cruzeiro, mas a doença também apareceu em outras áreas, como Araçariguama e Lençóis Paulista.  

Todas as vítimas eram homens não vacinados, com idades entre 38 e 64 anos. Em todos os casos, um dado se repete: nenhuma das pessoas afetadas tinha histórico de vacinação. 

A circulação do vírus também é monitorada entre os primatas. Em 2026, foram confirmados 31 casos em macacos no país, e um deles, identificado no fim de maio em Santo André, no Grande ABC, levou ao reforço da vacinação na região. 

Diante desse cenário, as secretarias de saúde intensificaram o alerta para a vacinação. A mensagem central é simples e tranquilizadora: a vacina existe, é segura para a maioria da população e protege contra a forma grave da doença. 

Sintomas da febre amarela 

Os sintomas iniciais costumam surgir de forma súbita e incluem: 

  • febre repentina; 
  • calafrios; 
  • dor de cabeça intensa; 
  • dores no corpo e nas costas; 
  • náuseas e vômitos; 
  • fadiga e fraqueza. 

Muitos casos se resolvem nessa fase inicial. Em uma parcela das pessoas, porém, o quadro pode avançar para uma fase mais grave. 

Sinais de agravamento 

Na forma grave, podem surgir icterícia (pele e olhos amarelados), sangramentos e comprometimento de órgãos como fígado e rins. Esse é um quadro que exige atendimento hospitalar imediato. 

Se você apresentar sintomas após visitar áreas de mata ou regiões com circulação do vírus, procure um serviço de saúde e informe o histórico da viagem. Evite a automedicação: o acompanhamento profissional faz diferença no cuidado. 

Quem deve tomar a vacina contra febre amarela? 

A vacina é a principal forma de proteção contra a febre amarela e está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) pelo SUS. 

A recomendação é manter a caderneta de vacinação em dia. Quem vai se deslocar para áreas com circulação do vírus, como zonas rurais e regiões de mata, deve verificar a situação vacinal com antecedência. A vacina precisa ser aplicada pelo menos 10 dias antes da viagem para que o organismo tenha tempo de desenvolver a proteção. 

Como funciona o esquema de vacinação 

O esquema de doses varia conforme a idade e o histórico de vacinação: 

  • Crianças – uma dose aos 9 meses de idade e um reforço aos 4 anos. 
  • Quem recebeu apenas uma dose antes dos 5 anos – deve tomar uma dose de reforço. 
  • Pessoas de 5 a 59 anos ainda não vacinadas – dose única. 
  • Quem recebeu a dose fracionada em 2018, durante as campanhas emergenciais – deve verificar a necessidade de atualizar a caderneta. 

Na dúvida sobre a sua situação, leve a caderneta de vacinação a uma unidade de saúde. A equipe pode orientar o que é necessário no seu caso. 

Quem deve passar por avaliação médica antes de se vacinar? 

A vacina da febre amarela é produzida com o vírus atenuado, por isso alguns grupos precisam de avaliação individualizada de um profissional de saúde antes de receber a dose. Entre eles: 

  • gestantes e mulheres que amamentam bebês com menos de seis meses; 
  • pessoas com o sistema imunológico comprometido, incluindo quem vive com HIV ou faz tratamentos como quimioterapia e radioterapia; 
  • pessoas transplantadas; 
  • pessoas com histórico de alergia grave a ovo e seus derivados; 
  • pessoas com 60 anos ou mais que vão tomar a vacina pela primeira vez. 

Se você se encaixa em algum desses grupos, não deixe de se vacinar por conta própria nem tome a decisão sozinho. Converse com a equipe de saúde para avaliar o melhor caminho no seu caso. 

A febre amarela tem tratamento? 

Não existe um medicamento antiviral específico contra a febre amarela. O cuidado é de suporte, voltado a aliviar os sintomas e dar suporte ao organismo, e nos casos graves é feito em ambiente hospitalar. 

Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento profissional são tão importantes. Diante de sintomas após exposição a áreas de risco, procure atendimento e evite a automedicação. 

Como prevenir a febre amarela 

A prevenção combina a vacinação com cuidados práticos no dia a dia: 

  • mantenha a vacina em dia, principalmente antes de viajar para áreas com circulação do vírus; 
  • use repelente ao frequentar regiões de mata e zonas rurais; 
  • prefira roupas que cubram braços e pernas nessas áreas; 
  • ajude no combate ao Aedes aegypti, eliminando água parada e possíveis criadouros, um cuidado que também protege contra a dengue, a zika e a chikungunya. 

A febre amarela é uma doença séria, mas evitável. Manter a caderneta de vacinação atualizada e adotar cuidados simples já reduz bastante o risco. Continue aprendendo sobre saúde com a gente, confira o artigo sobre a Doença de Chagas

Perguntas Frequentes 

Febre amarela passa de pessoa para pessoa? 

Não. A febre amarela não passa de pessoa para pessoa. A transmissão ocorre apenas pela picada de mosquitos infectados pelo vírus. 

Macaco transmite febre amarela? 

Não. Os macacos não transmitem febre amarela: eles também são vítimas do vírus e funcionam como alerta de que a doença está circulando em uma região. 

Gestante pode tomar a vacina da febre amarela? 

A vacinação de gestantes exige avaliação médica individualizada, por se tratar de uma vacina de vírus atenuado. A decisão leva em conta o risco de exposição ao vírus. 

Qual a diferença entre febre amarela e dengue? 

Febre amarela e dengue são doenças causadas por vírus diferentes. A febre amarela tem vacina e, no ciclo atual, circula em áreas de mata. A dengue ocorre nas cidades, transmitida pelo Aedes aegypti.

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