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A expectativa de vida do brasileiro é de cerca de 76 anos.

Mas desconsiderando as mais de 9 horas diárias de tela, quanta vida te sobra?

Por volta de 1,8 milhão de anos atrás, o Homo erectus começou a usar o fogo e ferramentas mais complexas, o que exigiu maior capacidade cerebral.

Uma das teses mais interessantes sobre as “atualizações de sistema operacional” do ser humano afirma que foi justamente nesse período que tivemos o grande salto evolutivo de nossa espécie.

Hoje, cá estamos, com tecnologias que nosso amigo Homo erectus jamais sonhou que existiriam.

A Era Digital nos trouxe incontáveis benefícios. Entre eles, a conectividade global, democratizando o acesso à informação — principalmente através dos smartphones.

Fone antigo

Porém, desde que o engenheiro da Motorola, Martin Cooper, inventou o tijolão celular, lá em 1973, nos EUA, muita coisa mudou em relação ao nosso uso do aparelho, que media 33 cm, pesava 1,1 kg, não tinha tela e só fazia ligações.

O que era de uso exclusivo de poucos, em pouco tempo se tornou item de uso básico de muitos, principalmente no Brasil. O país hoje tem mais smartphones do que pessoas, que ficam mais de 9 horas por dia em frente às telas.

RANKING MUNDIAL DE TEMPO DE TELAS

Por dia

9:24

1º África do Sul

África do Sul

1º Lugar

1º África do Sul

Brasil

2º Lugar

Por dia

9:13

2º Brasil

Brasil

2º Lugar

3º Filipinas

Filipinas

3º Lugar

Por dia

8:52

3º Filipinas

Filipinas

3º Lugar

4º Colômbia

Colômbia

4º Lugar

Por dia

8:43

4º Colômbia

Colômbia

4º Lugar

5º Argentina

Argentina

5º Lugar

Por dia

8:41

5º Argentina

Argentina

5º Lugar

6º Chile

Chile

6º Lugar

Por dia

8:31

6º Chile

Chile

6º Lugar

7º Russia

Rússia

7º Lugar

Por dia

8:21

7º Rússia

Rússia

7º Lugar

8º Emirados Árabes

Malásia

8º Lugar

Por dia

8:17

8º Malásia

Malásia

8º Lugar

8º Emirados Árabes

Emirados Árabes

9º Lugar

Por dia

8:11

9º Emirados Árabes Unidos

Emirados Árabes

9º Lugar

10º Tailândia

Tailândia

10º Lugar

Por dia

7:58

10º Tailândia

Tailândia

10º Lugar

Além disso, o Brasil também é segundo colocado ao considerar apenas redes sociais, com 3 horas e 37 minutos de uso, novamente atrás apenas da África do Sul.

Não por coincidência, somos o quinto país mais depressivo do mundo — e o campeão em ansiedade.

Mas, afinal, como o excesso de telas afeta a saúde?

Arraste para o lado e entenda por que sua saúde mental pode estar indo de “arrasta pra baixo”

Mulher olhando para o smartphone

O uso excessivo de smartphones tem sido frequentemente comparado ao vício em drogas

Uma das principais razões é a liberação de dopamina no cérebro (mesmo neurotransmissor do prazer e recompensa que é ativado por drogas).

Cérebro

As telas estão afinando a camada externa do cérebro humano

Em adultos de 18 a 25 anos, o uso excessivo de telas pode causar afinamento do córtex cerebral, a camada mais externa do cérebro, responsável por funções como memória e resolução de problemas.

Cérebro

Quanto mais celular, menos cognição

Adultos que passam muito tempo diante de telas apresentam perda acelerada de massa cinzenta do cérebro, o que aumenta o risco de transtornos mentais e prejudica a memória e o aprendizado, fatores de risco para demência.

Com isso, e muito mais, novos termos surgiram

Brain rot

Brain rot

(apodrecimento cerebral)

Eleito o termo do ano pela Oxford em 2024, trata da exaustão mental e da perda de funções cognitivas devido ao consumo excessivo de conteúdo digital de baixa qualidade.

Nomophobia

Nomophobia

(No mobile phone phobia)

Medo irracional de ficar sem o celular ou impossibilitado de usá-lo, por falta de bateria, sinal, internet, entre outros.

Phubbing

Phubbing

(phone/telefone e snubbing/esnobar)

Ato de ignorar uma pessoa ou o ambiente social ao seu redor para dar atenção ao celular.

Text Neck Syndrome

Text Neck Syndrome

(síndrome do pescoço de texto)

Termo médico que descreve problemas posturais e dores na coluna cervical causados pela postura inadequada e prolongada ao olhar para baixo para usar o celular.

E falando nisso...

Os efeitos do uso excessivo do celular na saúde física vão muito além das dores na coluna.

Heavy users

É cada vez mais comum que heavy users apresentem:

  • Check

    Rugas e papada, acredite se quiser, justamente pelo Text Neck;

  • Check

    Dores nos ombros, punhos, cotovelos e cifose;

  • Check

    Obesidade e ganho de peso, com uso excessivo de telas aumentando comportamento sedentário e ligado à disfunção metabólica, hipertensão e danos cardiovasculares;

  • Check

    Problemas de visão, que vão desde fadiga ocular até miopia;

  • Check

    Dores de cabeça relacionadas ao esforço visual, brilho das telas e postura inadequada;

  • Check

    Distúrbios do sono. Mas esse assunto merece um bloco especial só para ele.

O ser humano levou milhões de anos para desenvolver um relógio biológico extremamente preciso. E ele regula mais do que o horário em que dormimos e acordamos. Regula nossa energia, imunidade, memória e até o humor.

Mas existe um “bug” que trava esse sistema:e você já sabe qual é.

Smartphones, tablets e computadores emitem a famosa luz azul. Ela sinaliza ao cérebro que ainda é dia — mesmo à meia-noite, deitado na cama.

Quando isso acontece, o corpo reduz a produção de melatonina, o hormônio responsável por induzir o sono.

Porém, o pesadelo vai além da luz azul.

Redes sociais, vídeos curtos, jogos e notificações mantém o cérebro em estado de alerta, aumentando a ativação cognitiva e dificultando o relaxamento necessário para dormir.

luta/fuga

Para piorar, depois de dificuldade para dormir e pouca qualidade de descanso, você acorda e imediatamente pega o celular, ativando o modo “luta ou fuga” e criando um padrão em que seu cérebro tende à hipervigilância e à ansiedade ao longo do dia, o que diminui o foco e a clareza dos pensamentos.

A saída existe: Detox Digital

A mudança de hábitos exige, antes de tudo, consciência. Por isso, a primeira dica para um detox digital é refletir sobre o seu uso de telas.

Você consegue ficar bem sem o celular?

Seus hobbies também existem fora das telas?

Você tem usado a tecnologia ou ela tem te usado?

Se você se identificou, ou identificou alguém, confira as dicas:

Melhore a higiene do sono

Evite o uso de telas na cama e perto da hora de dormir. Seu cérebro precisa ser treinado e entender que a cama é um lugar de relaxamento, não de agitação. Vale substituir o celular por leitura, banho morno ou meditação.

Defina limites diários de uso

Estabeleça horários específicos para, por exemplo, redes sociais. Cheque em seu smartphone qual seu tempo de uso atual e defina metas para redução.

Desative notificações não essenciais

Elas estimulam o sistema de recompensa do cérebro, aumentam ansiedade e distrações.

Substitua tempo on por tempo off

Pratique mais atividade física, tenha contato com a natureza e interações sociais.

Por falar em interações sociais, estabeleça combinados coletivos de menos uso com familiares e amigos

Criar esses acordos é uma forma de conscientizar mais pessoas e reduzir a dependência.

Reprograme seu cérebro

Não fomos feitos para recompensas instantâneas o tempo todo, como as do mundo digital.

Esse estilo de vida faz com que o cérebro passe a evitar tarefas que exijam energia mental, como estudar, ler, trabalhar com foco, exercitar-se e resolver problemas complexos.

A ciência chama isso de “dessensibilização do sistema de recompensa”.

E, para reverter esse cenário, nossa última dica é simples: opte por tarefas difíceis. O esforço voluntário aumenta a capacidade de controle comportamental e oferece inúmeros benefícios.

Agora, você sabe que nem toda luz ilumina. E como não se deixar cegar. Pratique o Detox Digital e fale sobre ele com as pessoas que você ama. É hora de curtir, compartilhar e salvar — a vida real.

Baixe o cartaz e os papéis de parede da campanha e torne essa ideia viral.